São José, mestre da vida interior

Salve Maria!

Hoje, celebramos a solenidade do glorioso São José, pai nutrício de Nosso Senhor Jesus Cristo, Esposo da Santíssima Virgem Maria e Patrono da Santa Igreja. Sua memória nos recorda a grandeza de sua vocação e, consequentemente, a beleza de sua fidelidade em cumprir com perfeição a Doce Vontade do Pai. No glorioso patriarca, encontramos o modelo acabado de um homem que deve ser imitado por todos nós, sobretudo por aqueles que aspiram a uma vida de união com Jesus, nosso Divino Esposo.

Santa Teresa de Jesus, reformadora do Carmelo e grande propagadora de sua devoção, ensinou-nos que ele é um grande mestre de vida interior:

“Quem não encontrar mestre que ensine a rezar tome por mestre esse glorioso Santo, e não errará no caminho”.

Livro da vida, 6.

Diante de tal afirmação de nossa santa madre, poderíamos nos questionar: “como São José é mestre de vida interior, se ele não disse nada, não nos deixou nenhum escrito?”. Ora, a resposta é muito objetiva, afinal, o grande ensinamento que temos vem de seu exemplo.

Ao contemplarmos o glorioso patriarca, vemos diante de nós a verdadeira imagem de um homem que viveu em profunda união com Deus, de modo que esteve sempre numa perfeita ordem interior e exterior. Diante da extrema angústia que sofreu ao saber da gravidez divinal de sua esposa, não fez nenhum movimento que lhe favorecesse; antes, decidiu tomar sobre si a culpa de a abandonar. No entanto, o Anjo lhe aparece em sonho, indica-lhe o caminho a seguir e, sem questionar, acolhe os desígnios do Altíssimo e se faz, com Maria, escravo de Sua vontade.

Nas Escrituras encontramos pouquíssimas palavras a respeito do glorioso patriarca, e, dessas, a mais luminosa é a que o define como “homem justo” (cf. Mt 1, 19). Sua virtude não veio após o nascimento de Seu Divino Filho, mas já era resplandecente desde antes. Aquele que poderia se vangloriar de ter sido escolhido se ocultou e viveu na simplicidade e humildade da Sagrada Família; como esposo, dedicou-se à sua esposa, foi-lhe fortaleza e sustento; para seu Filho, foi modelo e proteção.

O grande sinal de alguém que possui vida interior é que ela possui ordem no seu modo de agir e viver, pois a vida de oração nos conforma pouco a pouco ao Senhor e, naturalmente, adquirimos essa ordem que é tão característica em nosso pai espiritual.

No entanto, quando olhamos para nós, deparamo-nos com um dilema, pois vivemos num tempo em que somos lançados de um lado para o outro, agitados pelos barulhos e distrações do mundo; a vida interior se torna quase uma utopia para a maioria de nós. Não conseguimos nos concentrar nem por alguns instantes e vamos, pouco a pouco, vivendo uma vida desordenada em todos os aspectos. Sendo assim, precisamos de alguém que nos inspire e nos ajude, com a força de sua intercessão, a dar passos numa busca de interioridade, para que haja ordem em nós.

Como dissemos acima, esse modelo e senhor é São José!

Seu exemplo nos ilumina e ajuda-nos a compreender que a verdadeira alegria não está nas coisas, mas nessa vida escondida, profunda e real que existe no interior de nossas almas e que nos chama à amizade.

No batismo, fomos habitados pela Santíssima Trindade e podemos, com alegria, dizer, junto com Santa Elisabete da Trindade, outra grande devota de São José: “o Céu é Deus e na minh’alma Ele está”. E que bonito podermos proclamar essa verdade! Afinal, é real: Ele vive em nós. Portanto, qual esforço não devemos fazer para entrarmos dentro de nós mesmos, para aí nos encontrarmos com Ele e nos deixarmos ser amados e amar…

O Caminho é Jesus; é por Sua humanidade que temos acesso à Santíssima Trindade. Afinal, Ele é a segunda Pessoa, o Verbo encarnado, que, tomando nossa carne, nos elevou e nos abriu as portas do Céu, que não é um lugar com árvores, flores, anjinhos cantando, como temos em nosso imaginário, mas o próprio Deus, que é certamente muito mais Belo do que tudo o que já tenhamos imaginado.

A vida interior consiste em amar Jesus, deixarmo-nos ser amados por Ele e progredirmos na Sua imitação, fazendo com que, a cada dia, sejamos mais parecidos e nos tornemos um só, de modo que possamos dizer: “vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim” (cf. Gal 2, 20).

Assim viveu São José, que não esteve um instante sequer disperso do Senhor. Seu castíssimo coração sempre estava voltado ao Seu Divino Filho, tal qual um girassol voltado ao Sol. Com que amor e elevação o glorioso patrono contemplava cada gesto do Esposo de nossas almas… Imaginemos como não era, para ele, ouvir seu Filho falar, sorrir, trabalhar etc.

Para que cresçamos na intimidade, precisamos fazer o mesmo: contemplar, meditar e considerar a humanidade de Cristo; pensar na Sua infância, como foram seus primeiros passinhos, como foi a primeira “papinha” que Ele comeu, ou ainda avançar em sua adolescência, juventude e Sua gloriosa vida pública. Essa meditação, meus irmãos, é como um fogo que inflama nossas almas de amor, consome o que há de mal e gera os bons propósitos de virtude.

Na providência de celebrarmos nosso pai espiritual em meio à Quaresma, tempo propício de aprofundamento de nossa vida interior, recorramos ao seu patrocínio, a fim de que ele nos ensine a caminhar no amor ao Seu Divino Filho e, assim, nos deixarmos transformar por Ele, de modo que, ao fim de nossos dias nesta terra, possamos encontrá-Lo e juntos cantarmos eternamente as misericórdias do Senhor, que nos pequenos fez maravilhas.

São José, Mestre da vida interior, rogai por nós que recorremos a vós!

Em Jesus, Maria e José,

Johnantan M. Neves, DE
Fundador e moderador geral da Comunidade Católica Divino Esposo

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