A espiritualidade da Comunidade Católica Divino Esposo tem por centro o mistério pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo, contemplado e vivido na busca da união esponsal com o Divino Esposo. Tal união se realiza e se aprofunda por meio do Imaculado Coração da Santíssima Virgem Maria, que é Mãe, Mestra e Rainha desta família espiritual, modelo perfeito da alma esposa e caminho seguro para amar a Jesus como Ele merece ser amado.


A vida espiritual dos membros se estrutura nos seguintes pilares:
I – Centralidade da Eucaristia: A Eucaristia é o centro e o ápice de toda a vida da comunidade. Na Santa Missa, celebrada com piedade e fidelidade ao que pede a Santa Mãe Igreja, na adoração eucarística, vigiando junto ao Amado de nossas almas, na reparação das ofensas, sacrilégios e ultrajes com que Ele é ofendido e no zelo por tudo que circunde o Santíssimo Sacramento do Altar, revelando neste gesto de cuidado, nosso amor e nossa vida.
II – Vida Marial: Na mística monfortina do “em Maria, com Maria, por Maria e para Maria, a fim de ser mais perfeitamente em Jesus, com Jesus, por Jesus e para Jesus”, encontra-se condensada a essência do nosso caminho de santidade. O Imaculado Coração de Maria é a forma perfeita da alma esposa: n’Ele, a pureza, a docilidade e a fidelidade atingem sua plenitude, e por Ele aprendemos a amar a Jesus com amor total e sem reservas.
Nenhum coração humano correspondeu tão plenamente ao Amor como o Seu; por isso, unir-se ao Coração da Mãe é deixar-se moldar por Ela, para que, no mais íntimo do nosso ser, o próprio Cristo viva e ame em nós. Maria é nosso refúgio seguro, Mestra de vida interior e Guia infalível para a união esponsal com o Divino Esposo.
Em nossa Comunidade, a Virgem Santíssima é venerada e invocada com especial devoção sob os títulos de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, Nossa Senhora do Carmo, Medianeira de Todas as Graças, Rainha dos Corações, Esposa do Espírito Santo e Auxiliadora dos Cristãos.
III – Olhos fitos em Jesus: buscamos viver na prática da presença do Esposo, certos de que pela inabitação trinitária jamais estamos sozinhos. Toda a nossa vida se transforma, então, em colóquio amoroso, em “trato de amizade” constante com Aquele que nos habita.
Essa vivência não substitui os tempos de oração pessoal e comunitária, mas lhes confere raiz e profundidade. Afinal, a oração não é apenas um conjunto de palavras, mas o estar com Jesus, deixando-nos sustentar pelo Seu olhar.
Desejamos manter viva, a cada instante, a consciência de Sua presença: no trabalho, nas relações, no descanso e até nos gestos mais simples do cotidiano. Não queremos viver distraídos do Esposo, mas fixar n’Ele os olhos do coração, repetindo com Maria: “eu dormia, mas o meu coração velava” (Ct 5,2).
Mesmo no barulho do mundo, buscamos permanecer em recolhimento interior, até que cada batida do coração se torne súplica silenciosa e cada gesto cotidiano, uma expressão de amor fiel ao Divino Esposo. Assim, viver de olhos fitos em Jesus é tornar a própria vida oração, e a oração, vida.
IV – Vida de Holocausto (ou Imolação): A espiritualidade da Comunidade encontra na imagem da rosa desfolhada um símbolo essencial, presente em nosso ícone e inspirado na poesia de Santa Teresinha. Esta rosa representa o coração que se imola sem reservas, consumindo-se inteiramente em favor do Amado.
Assim como uma rosa desfolhada não pode recompor-se, também nós desejamos viver um despojamento total, oferecendo-nos em holocausto de amor. Esse holocausto que não se realiza apenas em grandes gestos, mas sobretudo no ordinário da vida, onde cada momento é ocasião de entrega: as alegrias e as dores, as renúncias ocultas e os pequenos sacrifícios cotidianos. Nada é desprezado, tudo é oferecido como para consolar os passos do Menino Jesus e aliviar o doloroso trilho do Esposo rumo ao Calvário.
Ser “rosa desfolhada” é viver uma existência transformada em sacrifício perene, onde cada renúncia e cada ato de amor oculto se tornam “pétalas” de amor ao Doce Jesus. Esta imolação, silenciosa e cotidiana, é a expressão mais concreta do nosso carisma: consolar o Amor não amado e testemunhar que amar de verdade é deixar-se consumir, gratuitamente, até o fim.
V – Beleza e zelo nas coisas de Deus: Na certeza de que não é bastante dizer que ama, mas que é preciso dar provas desse amor, realizamos tudo com esmero e beleza, a fim de que todas as coisas deem testemunho de que O amamos e O queremos fazer amado no cuidado com aqueles que acolhemos.
VI – Vida fraterna e apostólica: A fraternidade é expressão concreta da união com Cristo, vivida na partilha, no perdão, na correção fraterna e no serviço mútuo. O apostolado brota desta vida fraterna e orante, buscando levar outras almas a conhecerem, amarem e servirem o Divino Esposo.
Assim, a espiritualidade da Comunidade conduz cada membro a viver de forma constante o lema “Cum Maria amare Iesum et facere illum dilectum”, até que, unidos ao Coração da Mãe, sejam configurados plenamente ao Coração do Esposo.
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