Hoje, iniciamos um dos momentos mais importantes celebrados em nossa Santa Igreja: a Semana Santa!
Mas, afinal de contas, você sabe o que ela é e qual seu sentido? Ou é só mais um feriado?
Para bem vivermos essa semana é necessário entendermos seu significado e, assim, mergulharmos nestes preciosos mistérios, irmos até o Calvário com Jesus, para ressuscitarmos em uma vida nova.

Estávamos vivendo o tempo da Quaresma, onde caminhávamos com Cristo no deserto, tempo de recolhimento e preparação para esta Semana. A partir do domingo, o “Domingo de Ramos”, iniciamos a semana na qual revivemos a Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, atingimos o ápice da Misericórdia e do Amor Divino para com a humanidade.
Tenho certeza que, ou você já participou desta procissão, ou já foi acordado pelos cantos de “Hosana hey, Hosana ha” das multidões. Mas afinal, o que celebramos no Domingo de Ramos? A Igreja lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, quando foi recebido calorosamente pelos judeus, que espalharam ramos no caminho pelo qual Ele iria passar. Os judeus O aclamavam gritando “Hosana ao Filho de Davi” (Mt. 21, 1-9). Por isso, que neste dia, nós católicos, cantamos e carregamos ramos, como gesto para demonstrar que Jesus é nosso Rei e Salvador.
Na Quinta-feira Santa, celebramos a Instituição da Eucaristia, e com Ela o sacerdócio! Jesus se faz pequeno pedaço de pão por nós. A Eucaristia nos é dada em todas as Missas, mas, neste dia, de maneira especial e solene, fazemos memória da última ceia e, com coração cheio de agradecimento, vemos Cristo que se derrama inteiramente em Corpo e Sangue, Alma e Divindade para a nossa salvação pelas mãos ungidas do sacerdote. Temos a entrega de Jesus por nós, “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que por Ele, nos tornemos justiça de Deus” (2Cor. 5,21). Neste dia, também acolhemos os santos óleos do Batismo, da Unção dos Enfermos e da Crisma, que serão utilizados em todas as Igrejas no decorrer do ano. Também faz parte do rito desta Missa o lava-pés, que recorda o Evangelho de Cristo, exemplo de humildade, que se coloca a lavar os pés de seus apóstolos. Por fim, neste dia, temos a vigília ao Santíssimo exposto, onde a Igreja é chamada a estar com Cristo, e com Ele ir ao calvário.
Na Sexta-feira Santa, vivemos a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aquele que não tem pecado, entrega-se por amor à humanidade e morre por nossa salvação. Neste dia, veneramos a santa Cruz, não como símbolo de morte, mas como símbolo de Amor, com a esperança da salvação. Anna Catarina Emmerich relata que “(…) o Santo dos santos, o Esposo de todas as almas, pregado vivo na Cruz, foi elevado pelas mãos dos pecadores enfurecidos. Quando, porém, o madeiro erguido com estrondo entrou na respectiva cova, houve um momento de silêncio solene; (…) O próprio inferno sentiu assustado o choque do lenho sobre a rocha e levantou-se contra ele, redobrando nos seus instrumentos humanos o seu furor e os insultos. Nas almas do purgatório e do limbo, porém causou alegria e esperança: soava-lhes como o bater triunfador às portas da Redenção. A Santa Cruz estava pela primeira vez plantada no meio da terra, como aquela árvore da vida no Paraíso, e das chagas dilatadas do Cristo corriam quatro rios santos sobre a terra, para expiar a maldição que pesava sobre ela e para fertilizar e a tornar um paraíso do novo adão” (EMMERICH, p.331).
No Sábado Santo, a Igreja aguarda no sepulcro junto a Cristo. Aguardamos sua ressurreição, sua vitória à morte. Cremos em um Deus vivo e ressuscitado, por isso, como as esposas que aguardavam a vinda do Esposo com suas lamparinas acesas, a Igreja aguarda a ressurreição do Esposo, vigilante e atenta.
A Igreja caminha com Cristo seu caminho expiatório, para com Ele, chegar à Páscoa do Senhor. Cristo vence o mundo, o pecado e a morte! Nos dá a salvação e nos liberta das amarras do inferno.
Nesta semana, irmãos, nós, almas esposas, somos chamados a viver mais profundamente a oração, o jejum e a penitência. É necessário sofrer com Cristo, carregar a Cruz com Ele, ir ao calvário e então ressuscitar, para uma vida nova! O céu só nos é possível através da Cruz! Para nós, católicos, essa semana não tem feriado, não tem praia, nem churrasco. Mas tem jejum, penitência e oração! Nos recolhemos para viver a Paixão com Cristo e com Ele, ressurgir.
Não sei como foi sua quaresma, como tem sido sua vida nestes últimos tempos, mas agora é o tempo propício. Como disse nossa baluarte, Santa Teresinha, só temos o hoje para dar a Cristo. Por isso, irmãos, que possamos viver uma santa Semana Santa, passar pelas dores, tendo a certeza na vitória!
Que Maria Santíssima, nos ensine a caminhar, esperar e crer, junto a Seu Filho, Jesus!
Jéssica Baliza
Formadora Geral – Comunidade Católica Divino Esposo
Bíblia Sagrada, tradução CNBB.
EMMERICH, Anna. “Vida e Paixão do cordeiro de Deus”. Minha biblioteca católica: Rio Grande do Sul, 2018.