O Grande São Luís Maria Grignion de Montfort

Hoje, 28 de abril, a Igreja celebra o dia de São Luís Maria Grignion de Montfort – O Apóstolo de Maria.

Convido os senhores a juntos, conhecermos melhor este grande santo!

Em 31 de janeiro de 1673, em Montfort-sur-Meu, na França, o casal Jean-Baptiste Grignion e Jeanne Robert viram seu segundo filho nascer: Luís Maria. Este, que seria chamado de Apóstolo de Maria, cresceu em uma família temente a Deus e numerosa, com seus 17 irmãos, e desde cedo já se destacava por sua natural devoção à Virgem Santíssima e sua vida piedosa e de profunda oração que ensinava aos irmãos menores. Aos 12 anos, foi enviado para morar com o tio, o padre Alain Robert, e estudar no colégio Saint-Thomas de Rennes, cuja educação jesuíta era exemplar na época. Lá foi aluno brilhante, não apenas por seu destaque nos estudos, mas também por demonstrar maturidade acima dos alunos da sua idade, viver mais recolhido do que no meio das diversões barulhentas dos colegas, e não perdia uma chance sequer de acolher aqueles que precisavam ouvir o Evangelho, seja por suas palavras, seja por sua vida.

Ele dava uma atenção especial aos mais pobres, não acumulava nada para si, dava o que podia, e quando nada tinha, recorria a famílias ricas e pedia ajuda a quem precisasse, já que o colégio era gratuito e tinham pessoas de todas as condições. Por muitas vezes, em seus dias de descanso, participava de um projeto, onde visitava doentes e lia para eles livros de santos e ensinava-lhes o Catecismo.

No terceiro ano, foi inscrito  entre os membros da Congregação da Santíssima Virgem com grande entusiasmo, pois desde bem pequeno, depois de Deus, sua maior alegria era estar com Sua Mãe Amorosa, da qual falava o tempo todo. Somente os melhores alunos e os mais devotos poderiam entrar nesta congregação, e nela pode fazer seu apostolado e aumentar seu amor pela Mãe do Céu, a quem sempre recorria e recebia numerosas graças.

Cursou ainda no mesmo local Filosofia e Teologia com grande competência, com odores de santidade, só sabia falar sobre as coisas do Altíssimo e contemplá-las. Seu exterior emanava o ardente amor que cultivava em seu coração e iluminava todos a sua volta. Seu coração pulsava um desejo de sacerdócio e ele  pensava que se realizaria ali mesmo, mas quis a providência divina que ele fosse para o Seminário de Saint-Sulpice, uma grande escola de santidade da época. Sua família, apesar de ter boas condições financeiras, por terem muitos filhos, não podiam  arcar com as despesas do Seminário, mas Deus providenciou tudo. E lá se foi Luís Maria com uma muda de roupa, alimento e alguns escudos a pé até Paris. A certa altura, estando só, distribuiu tudo o que tinha, trocou suas roupas com um pobre, se ajoelhou e fez seus votos de pobreza, dizendo que nunca possuiria nada de seu.

Demorou entre 8 a 10 dias para chegar a Paris, em seu caminho, comeu o que a providência lhe deu e assim que chegou fez outro voto importante: de nunca olhar para as belezas da cidade, sacrificando um grande desejo seu, pois queria reservar seu olhar apenas para as coisas do Alto. Tendo apenas os recursos para custear seus estudos, ficou num estabelecimento para os pobres, no qual tinha a responsabilidade da limpeza e organização do   local junto aos demais residentes. 

Era inverno, dos mais rigorosos, a França passava pela guerra dos Nove Anos, e seu povo sofria o frio e a fome. Alguns meses depois que chegou, a benfeitora parou de pagar a pensão. Então precisou ir atrás de recursos financeiros. Conseguiu um trabalho de velar mortos, e aí intensificou suas orações e mortificações. Mas o que ganhava não era suficiente, então saia a pedir esmolas para completar o que precisava, e quando recebia uma quantia superior, doava-a a outro pobre. Foi encarregado de diversos outros serviços, e um deles, muito especial, precisa ser citado: cuidou da grandiosa biblioteca do Seminário, e lá leu praticamente todas as obras sobre a devoção à Santíssima Virgem Maria. Alguns anos mais tarde todos estes conteúdos contemplados frutificaria no Tratado da Verdadeira Devoção.

Foi um tempo de oração, penitência, trabalho, estudos e até mesmo perseguições, mas nada abalava seu coração unido ao Senhor. Era exímio em tudo o que fazia, e o fazia em honra de Sua Boa Mãe.  Até o dia de sua ordenação, aos seus 27 anos, no qual exultou de alegria de maneira indizível: era sábado de Pentecostes, de 1700. Agora, padre, sua sede pelas almas aumentou, e as missões no estrangeiro o atraíam. Mas quis o Bom Deus que ele permanecesse na França onde mais precisavam dele, e por lá mesmo, a pé, foi percorrendo de lugar em lugar, pregando a Palavra de Deus, levando a devoção ao Rosário e depois espalhando o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

Seu sacerdócio durou apenas 16 anos, no entanto, este breve tempo não foi empecilho para tamanhos frutos. Percorreu onde o Espírito Santo o conduziu, quando pregava, arrastava muitas almas para o Senhor, sua fama foi se espalhando, e quando ouviam dizer que o padre de Montfort ia pregar, para lá corria uma multidão. Mas junto aos que o queriam bem, também surgiram muitos que tentaram derrubá-lo, chegando até a darem veneno para ele beber. Graças a Deus ele tomou um antídoto, mas isso deixou sua saúde bem frágil.

Foi missionário pela França em nome do Papa, foi fundador das Filhas da Sabedoria (1703) e da Companhia de Maria (1705). E ainda nos deixou muitos escritos valiosos, tanto que muitos defendem que deveria ser doutor da Igreja. Sua doutrina Mariana deixou marcas e um grande legado que ultrapassou o tempo e até hoje ainda estão muitos consagrados a Jesus por Maria pelo método de São Luís a espalhar a verdadeira devoção pelo mundo afora.

Ao longo da história vemos o quanto ele influenciou vários papas, entre eles, Leão XVIII que o beatificou. Seu livro “O segredo do Rosário” inspirou para que o papa escrevesse inúmeras encíclicas sobre o rosário. Depois São Pio X, escreveu uma encíclica mariana que percebe-se claramente que foi influenciado pela doutrina de São Luís Maria, o papa diz que não há  um caminho mais seguro e mais fácil do que nós por Maria nos unirmos a Cristo. Ele foi canonizado por São Pio XII, 20 de julho de 1947, e finalmente São João Paulo II falou abertamente que o livro Tratado da Verdadeira Devoção foi sua escola de espiritualidade e conversão.

Certa ocasião teve a inspiração de construir um calvário para oração e meditação dos fiéis. Um grande esforço diário foi empregado para tal obra: entre 200 a 400 homens trabalhando voluntariamente por 15 meses até a véspera de inauguração em que foi barrado, pois inventaram mentiras para o rei de que aquele local seria uma fortaleza subterrânea para abrigar rebeldes. Ao receber a notícia, com toda a calma, e acolhendo com amor a vontade de Deus, apenas exclamou que Deus queria mesmo era construir o calvário nos corações…

Aos 28 de abril de 1716 entrega seu espírito a Deus e desde então muitas graças são alcançadas mostrando que em breve ele seria elevado aos altares. Este ano fazem 300 anos de sua morte, e que grande graça podermos tocar em suas obras, aprender sua devoção e amor à Virgem Maria, e podermos, sob sua intercessão, caminhar rumo à santidade! Louvado seja Deus que nos presenteou com alma tão santa!

São Luís Maria, rogai por nós!

Priscila da Silva Ferreira, DE

Consagrada da Comunidade Divino Esposo

Referências Bibliográficas

Crom, Luis Le. São Luís Maria Grignion de Montfort. Minha Biblioteca Católica

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