Santa Rita de Cássia: uma vida que ensina que a santidade é possível para todos!

Celebramos hoje, 22 de maio, o dia de Santa Rita de Cássia, madrinha e intercessora da Comunidade Divino Esposo. E mais do que pedir sua intercessão, fazer novenas e orações, é preciso que olhemos para seu testemunho de vida como um grande exemplo de santidade, fé incansável e grande amor a Deus.

” Nasceu, pois Rita, no mesmo mês e dia de seu trânsito glorioso ao Céu; e como a Igreja chama a morte dos santos de nascimento, porque então é que nascem para a verdadeira vida, tal coincidência parece dar a entender que esta privilegiada criatura, antes que para as lutas da terra, nascia para o céu, como se qual outro Batista tivesse sido santificada no ventre de sua mãe.” (CABEZAS, p.19)

Os pais de Rita, Amada Ferri e Antonio Mancini, muitíssimos virtuosos e de grande fé, ansiavam em Deus a graça de um filho para sentirem-se completos e mais felizes ainda que já o eram em seu santo matrimônio. Quis o Senhor prová-los na constância e na fé, até que em uma visão, foi revelado a Amada que ela teria uma menina de muitas virtudes e prodígios e que esta teria grande brilho em sua família, sua pátria e todo o mundo cristão.  E assim se fez:  Marguerita Lotti, a nossa querida Rita, nasceu no dia 22 de maio de 1381 em Roccaporena, próximo à cidade de Cássia, na Itália. Brotou esta flor em um lar católico e de grande temor a Deus. Desde sua infância, teve impregnado em sua vida os mistérios da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, aprendendo assim a meditar e contemplar o Sacrifício Santo,  despertando em seu pequeno coração o desejo à vida religiosa e de se entregar totalmente a Deus.

Rita aprendeu em sua infância a importância da caridade, piedade e compaixão, sobretudo, aos mais pobres. Nutria também em sua alma grande devoção a Jesus crucificado e grande era a admiração de todos perante seu precoce desenvolvimento, entendimento e demonstrações de modéstia. Admirava os costumes da vida reclusa dos monges Agostinianos que a impeliam a querer viver retiros e penitências e já muito nova fazia jejuns, doava aos mais necessitados aquilo que guardava de alimentos e constantemente buscava estar só para fazer suas orações e contemplar Jesus, o que levou a seus pais  a preparem em sua casa um cômodo separado para que ela pudesse se dedicar a suas orações e estar constantemente na presença Daquele a quem amava profundamente.

Em seu íntimo aumentava a determinação de se consagrar a Deus através da vida religiosa. Ao passar dos anos, porém, decidiram os pais de Rita que o melhor para ela seria a vida matrimonial e providenciaram-lhe um casamento que assegurasse o bem estar de sua filha. Tal decisão a levou aos prantos, implorando aos seus pais que reconsiderassem e a permitissem viver as inúmeras e incomparáveis vantagens da vida religiosa que desde cedo permeavam sua alma, em vão, contudo…  Rita nunca em sua vida foi desobediente aos seus pais e mesmo com o coração angustiado e sob copiosas lágrimas, os obedece e acata a decisão, certa de que a vontade de Deus era o que ela queria para si. Com docilidade, suplica a Deus que lhe conceda uma graça especial para viver fielmente os deveres deste novo estado de vida que se apresentava.

Certa de que a Providência havia lhe destinado seu esposo Fernando, Rita dedicou-se inteiramente a ele e no início, Fernando mostrava-se contente e feliz por ter casado-se com tão esplendorosa mulher. O tempo passou e então ele começa a demonstrar de fato quem realmente era: um homem de gênio extremamente difícil, grosseiro, áspero… nada lhe agradava e tudo o chateava. A maltratava com palavras e demonstrava muitas vezes grande desprezo chegando até mesmo a infidelidade. Não cuidava de sua esposa, não lhe era carinhoso e aproveitava-se da mansidão de suas atitudes. Rita, ao contrário, em tudo procurava lhe agradar em cada simples gesto e com grande paciência suportava tudo, rogava constantemente ao Senhor  que toda dureza e rebeldia de seu coração fossem convertidos. Sua incansável atitude trouxe a conversão ao duro coração de seu marido.

Aos poucos, o marido foi reconhecendo toda sua displicência e sentindo-se culpado, arrependido, mudou seu comportamento, chegando até mesmo a querer desagravar o Senhor por tantos pecados cometidos. Após tantas tempestades, finalmente a paz reinava em seu lar e Rita, então, retoma suas atividades piedosas, tanto quanto seus compromissos de esposa lhe permitiam. A graça da maternidade chega ao ventre de Rita. Quis o Senhor que dois filhos lhes fossem concedidos consecutivamente e nossa dedicada santa, com sentimentos de extrema gratidão a Deus entrega-se a tão tenro amor.

Poucos anos se passam e percebe Rita que seus filhos haviam herdado o gênio tempestuoso de seu pai, o que lhe causava tremenda inquietação. Incutia-lhes todo o amor à Santíssima Virgem e a Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre os recomendava a Deus. Passou-se que faleceram seguidamente seus pais, causando-lhe tamanha dor e sofrimento. Mal havia começado a recuperar-se de seu luto, recebe a perturbadora notícia que um grupo de homens havia assassinado seu esposo devido a problemas passados. Em grande amargura e desolada, Rita encontra em Deus toda força necessária para cuidar de seus filhos.

Sabendo que todo cristão assemelha-se a Cristo, Rita compreende que todo sofrimento nesta terra é senão um caminho para o céu. Pouco tempo de viuvez se passa até que percebe que seus filhos arquitetavam vingarem-se do terrível assassinato de seu esposo. Rita tenta de todas as maneiras dispersá-los de tão horrível destino de condenação para seus filhos, rogando-lhes insistentemente que perdoem aqueles que tanto mal o fizeram. Sem encontrar esperanças de mudanças em seus duros corações, semelhantes ao de seu pai em outra época, Rita suplica ante Jesus crucificado, em meio a lágrimas e extrema dor em seu coração e alma, que Deus mude o coração de seus filhos perante possível e abominável ofensa e certa condenação ou antes, que o Senhor os leve pois, preferia perdê-los aqui na terra do que perdessem a vida eterna.

Somente uma mãe com admirável fé e confiança no Senhor, com uma conduta de amor abundante à Deus e aos seus filhos seria capaz de tamanho pedido. Misericordiosamente, o Senhor atendeu os pedidos de Rita e em menos de um ano, morreram seus dois filhos antes que a maldade de suas atitudes os condenassem. Mesmo diante de tão grande perda, sentia-se agradecida por Deus ter  lhe atendido o pedido e enchia-se de esperança em ver seus filhos na glória dos céus, oferecia toda a tristeza que por vezes a acometia das saudades de toda a sua família como sacrifício de amor a Jesus.

Agora viúva, sem filhos e sem seus pais, Rita sofre toda a sua solidão ainda na flor da idade. Vê-se perdida, confusa e desamparada, chora a sua condição e não encontrava outra resposta senão a Cruz. Se dá conta, então, que chegara o momento de enfim cumprir aquele ímpeto primeiro de voltar-se à vida religiosa e volta a ter seu coração acometido, inflamado pelo desejo de entrega total a Deus. Decide buscar maneiras de entrar no convento das irmãs Agostinianas, encontrando muita resistência e negação das freiras por recebê-la, pois havia ela sido casada e essa não era uma condição comum para tornar-se parte deste convento, no alto dos montes de Cássia.

Certa noite, estando Rita desolada pela resposta negativa a seu ingresso no convento, rende-se inteiramente à fervorosa oração, unindo sua alma totalmente a Cristo. Em altíssimo nível de contemplação, tem um arrebatamento em êxtase e ouve Jesus lhe dizendo: “Levanta-te, minha amiga, apressa-te e vem ao asilo por ti suspirado, que suas portas já estão abertas para ti, e por meio de meus santos, teus protetores, conduzir-te-ei à morada das minhas esposas”. Rita se levanta e, ao abrir a porta de sua casa, se depara com seus santos de devoção São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino que seguem com ela em direção ao mesmo monte em Cássia onde se encontrava o convento das irmãs Agostinianas.

Impossível era chegar ao local durante a noite pois o caminho era rochoso e na escuridão, não conseguiria ver a estrada. Mesmo assim, dando por conta, já estava Rita no sagrado asilo das Madalenas de Cássia, seus santos que a acompanharam de maneira mística, desapareceram, deixando-a abismada com tal feito. Aguardava o dia amanhecer quando as primeiras irmãs a perceberam naquele pátio e contando tudo o que havia acontecido, foi recebida com grandíssima alegria e prontamente aceita à Ordem.

Rita vivia todas as regras Agostinianas com imensa e profunda obediência e humildade, cumpria todas as tarefas sem hesitação e era sempre a primeira a acordar, a primeira a chegar às orações e sempre se prontificava a ajudar nas outras tarefas e a consolar quantas irmãs precisassem de algum conselho.

Em raros momentos livres, amante da solidão que era, retirava-se sempre que possível para estar a sós com Jesus. Na pobreza de sua cela úmida, passava as noites a meditar e em diversos momentos era arrebatada em êxtases espirituais. Permitia-se comer somente o indispensável para que tivesse forças para cumprir com suas obrigações e tarefas, chegando a grande parte do ano, passar somente a pão e água. Passava horas perante o Santíssimo Sacramento, realizava quaresmas além das de preceito e isso causava enorme satisfação, felicidade e sentimentos de gratidão em seu coração, finalmente conseguira ser toda do seu Amado.

Buscava ainda uma profunda intimidade com Cristo em sua clausura, aspirava agradá-lo ainda mais, suspirava e copiosamente chorava, implorando ao seu Esposo que a permitisse sentir ela também um pouquinho da dor que sentira Nosso Senhor. Então, o Crucificado permite que um dos espinhos de Sua Santa coroa, de Sua Cabeça, se soltasse e a ferissem em sua testa de tal modo que chegou-lhe ao osso, causando o seu desmaio perante imensa dor. Mais forte que a dor, porém, era o amor que Santa Rita tinha por Jesus e voltando a si, viveu Rita com esta chaga aberta pelos próximos quinze anos de sua vida.

Um estigma que concretizava o verdadeiro significado de amar ainda mais a Cristo ao ponto de querer dividir com Ele seus sofrimentos. Rita viveu a partir de então ainda mais reclusa, pois a chaga aberta dilatou e apodreceu, ficando verminosa, causando extrema e humilhante condição a este coração tão cheio de amor.  Longe até mesmo de suas próprias irmãs de convento, viveu intensamente essa entrega de amor,  silenciosa, com humildade, mansidão e feliz, pois assim estava mais intimamente unida ao Esposo, conformava-se à Ele, rendia graças ao Senhor por tamanha benção.

Com setenta e dois anos de idade e quarenta de vida religiosa, veio sobre Santa Rita uma doença, não se sabe ao certo qual, que durou quatro anos e a romperam aos céus aos 22 de maio de 1457. Foi  beatificada em 1628 por Urbano VIII e proclamada santa em 1900 pelo então Papa Leão XIII. Não há explicação humana para suportar tamanhos sofrimentos tais como vivera Santa Rita de Cássia durante toda sua existência se não, somente uma graça especial de Deus sobre a vida dela. Todo o mau cheiro que exalava sua testa chagada, agora era tomado por um extraordinário perfume que tomou conta de todo seu corpo e dos poucos pertences que possuía.

Incontáveis são os milagres alcançados através da intercessão de tão grande santa, tão apreciável aos olhos de Deus. Dias após sua morte, já se manifestavam os milagres atribuídos a sua intercessão como aos moradores da região que lhe suplicaram seu auxílio e prontamente voltaram a enxergar, a falar, a ouvir, tiveram a cura de doenças, a cura das feridas de uma pessoa que quase teve sua cabeça separada do corpo depois de diversas facadas, pessoas que se afogavam e recorreram a ela e se salvaram entre tantos outros.  Além dos relatos diversos que constam em seu processo de beatificação, existem os relatos dos milagres obtidos após a visitação de seu corpo conservado e incorrupto na Basílica de Cássia, e até hoje muitas pessoas o visitam e pela misericórdia de Deus, grandiosos milagres são alcançados.

Admirável é a vida e testemunho desta tão querida e sublime santa marcada desde toda a eternidade a ser inteiramente toda de Deus. Desde seu nascimento, passando por toda sua vida, marcada pela obediência, resignação, humildade e amor ao Crucificado, passando por todos os estados de vida – matrimonial e religiosa – todos os sofrimentos suportados por amor a Cristo, Santa Rita, a advogada das causas impossíveis,  nos mostra que a plena confiança e amor a Deus são o que de fato preenchem nosso coração, que nos levam para mais perto de Deus e à plena felicidade celeste.

Através de Santa Rita, vemos quão admirável é Deus em seus santos e como são grandiosas as suas obras através daqueles que se abandonam e se entregam a Ele. Que os exemplos de Santa Rita alcancem nosso coração e nos ajudem a percorrer o nosso caminho de santidade rumo ao céu.

Comunidade Católica Divino Esposo

Referências Bibliográficas:

Cabezas, José Rodrigues, Pe

A vida de Santa Rita de Cássia / Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2018.

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