Segunda aparição de Nossa Senhora de Fátima

Como já sabemos, no dia 13 de maio de 1917, Nossa Senhora fez sua primeira aparição aos pastorinhos, em Fátima. Neste primeiro encontro, Ela lhes pede que rezem muito o terço e façam sacrifícios para agradar o coração de nosso Senhor, já tão ferido. Ela lhes revela também que Jacinta e Francisco irão para o céu, mas ele, após rezar muitos terços. É importante notarmos aqui que se tratam de crianças e que Francisco não possuía pecados imensos. Ainda assim, Maria como nossa mãe, aquela que nos ensina e corrige, lhe faz uma pequena advertência sobre a necessidade de rezar mais.

Após esse encontro, as três crianças procuraram mudar seu jeito de viver. Vejam, irmãos, assim como qualquer outra criança, eles gostavam de brincar, cantar, dançar, comer comidas gostosas etc… Nossa Senhora lhes concede, através dos raios de luz que emanavam de Suas mãos, a graça de apesar de sua pequenez e inocência infantil, entenderem tudo aquilo que Ela lhes revelava. A partir deste dia, eles decidem fazer pequenos sacrifícios diários em oferta de amor a Deus e a Nossa Senhora, e pela conversão dos pecadores do mundo todo.

Como Jacinta, devido a seu espanto pela beleza de Nossa Senhora, não conseguiu guardar o segredo da aparição, e contou a seus pais, aos poucos, a notícia se espalhou rapidamente. A partir disto, eles passaram a ser questionados por todos que os rodeavam, a começar por suas famílias. As pessoas desconfiavam deles e achavam que se tratava de uma mentira de crianças. Deu-se início um período de grande sofrimento em suas vidas, especialmente na de Lucia, que por ser a mais velha, era considerada culpada de ser a “cabeça” que conduzia a mentira.

Lucia, assim como seus primos, vinha de uma família muito católica. Sua mãe era muito severa quanto a educação cristã de seus filhos. Devido a isso, por achar que Lucia estava mentindo, e a mentira é fruto do demônio, começou a castigar severamente sua filha. Sua mãe chorava de desgosto por Lucia estar supostamente mentindo, o que afligia o coração da pequena. Muitas vezes, sua mãe a batia com pedaços de pau para que ela “falasse a verdade”. Seus pais deixavam que Lucia fosse perseguida pelas pessoas e interrogada pelas autoridades, inclusive, fosse ameaçada de prisão e morte, para que com isso, ela pudesse “desmentir” o que dizia.

Jacinta e Francisco, por outro lado, tiveram a proteção de seus pais, que muitas vezes os impediam de sair de casa para não serem questionados pelas pessoas. Quando eram convocados por uma autoridade, seus pais é quem iam lá responder, enquanto as crianças ficavam em casa.   

Os dias foram passando, e no dia 13 de junho de 1917, ocorreu a segunda aparição de Nossa Senhora de Fátima, aos pastorinhos. Irmã Lucia nos relata no livro de suas memórias que, após rezarem o terço, viram novamente um reflexo de luz, que lhes parecia um relâmpago, vindo do céu, em suas direções. Neste dia, além das três crianças, encontravam-se cerca de 50 pessoas, curiosas, na cova da Iria.

Quando Nossa Senhora se coloca sob a carrasqueira, Lucia dialoga com Ela:

– Vossemecê que me quer? – perguntei.

– Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.

Lucia Pede a cura de um doente, ao que Nossa Senhora lhe responde:

– Se se converter, curar-se-á durante o ano.

– Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu.

– Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração.

– Fico cá sozinha? – perguntei, com pena.

– Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus. (Irmã Lucia, pp.201-202)

Lucia era a única que conseguia ver, ouvir e falar com Nossa Senhora. Jacinta conseguia ver e ouvir e Francisco apenas via. Ele ficava sabendo do diálogo através das palavras de suas companheiras.

Jacinta e Francisco sentiam uma alegria imensa por saber que iam para o céu, tanto que mesmo quando eram ameaçados de morte, não se afligiam, pois pensavam: tudo bem, pois logo estaremos no céu!

A cada dia, os três pastorinhos passaram a sacrificar-se mais. Lucia sofreu muito com as perseguições, especialmente pela falta de apoio de sua família, que antes a tratava com mimos e cuidados. Foi também muito difícil para ela, saber que ficaria sozinha aqui na terra, enquanto seus primos, as únicas pessoas que a entendiam, iam logo para o céu.

Jacinta, apesar de ser a menor dos três, tinha um amor imenso pelos pecadores. Ela queria que eles se convertessem rapidamente, e por isso, não se cansava em fazer sacrifícios por eles. Nos relatos de irmã Lucia, ela conta que por várias vezes, as pessoas se aproximavam de Jacinta lhe pedindo para rezar por alguma intenção ou pela conversão de alguém, e ela imediatamente, se ajoelhava e convidava as pessoas a fazerem o mesmo, e juntas rezarem o terço por aquela intenção. Lucia destaca ainda, que Jacinta se sacrificava com alegria, ela ia saltitante e sorridente entregar suas marmitas aos pobres, para ficarem em jejum, pois tinha em seu coração a certeza de estar salvando almas do inferno.

Francisco era o mais quieto de todos os três. Tinha uma atitude mais contemplativa e dificilmente algo lhe tirava do sério. Costumava seguir Jacinta e Lucia porque assim era de costume. É importante notarmos uma coisa irmãos, não nos deixemos enganar. Há quem acredite que a conversão de Francisco se deu por medo de ir para o inferno, já que na primeira aparição de Nossa Senhora, Ela os fala que ele irá para o céu, mas precisará rezar muitos terços. Isso não é verdade! Francisco foi aquele que teve uma contrição perfeita… mas o que é isso? Contrição perfeita é quando nos arrependemos verdadeiramente de termos pecado, não pelo medo de ir ao inferno, mas por não querer mais ofender a Jesus, já tão humilhado e ferido. O pequeno Francisco Marto, assim como seu homônimo, São Francisco de Assis, entendeu que o Amor não era amado. O pastorinho de Fátima tinha em seu coração o desejo imenso de consolar Jesus e Nossa Senhora, através de seus sacrifícios e orações. E nisto, ele era incansável! Ficava o dia todo se pudesse a contemplar Jesus “escondido” (termo utilizado por eles para se referir a Jesus Eucarístico), pois queria consolá-Lo. Ele costumava, inclusive, incentivar Jacinta e Lucia a dar sempre mais em oferta de sacrifício. Ele é para nós um exemplo de que sempre podemos ofertar um pouco mais de nossas vidas para Deus.

É constrangedor olhar para a vida dessas três crianças e pensar o quanto se sacrificaram por amor a Deus, a Nossa Senhora e pela conversão dos pecadores, enquanto muitas vezes não somos capazes de ofertar uma dor de cabeça, por exemplo. Talvez você pense assim: o que Deus pode fazer com a oferta da minha dor, ou com a carne que eu deixo de comer? Nada! Pois irmãos, eu quero lhe dizer que Deus pode fazer muito. A sua oferta não é a dor ou a carne, a sua oferta é o amor! É o amor que há em seu coração por Deus, que te faz suportar a dor, que te faz ficar em jejum, é só o amor!

Muitas vezes, lembramos que Deus é amor e misericórdia, e nos esquecemos que Ele também é sacrifício. Jesus se sacrificou por nós na Cruz! Até mesmo a capacidade de se sacrificar vem de Deus. Assim como Ele se sacrificou por nós, devemos também nos sacrificar por Ele. O amor de Cristo por nós O fez ir tão longe, e o nosso amor por Ele deve nos fazer ir também. 

Por vezes, olhamos para a vida dessas crianças e pensamos: Ahmas eram santos desde sempre, por isso conseguiam fazer isso! Mas quero te dizer que não é bem assim… Eles nos mostram que a santidade é um caminho. Um foi ajudando o outro na caminhada, quando um esmorecia, os outros iam em seu socorro. Eles rezavam juntos, faziam seus sacrifícios e quando ficava difícil ofertar, o outro sempre lhe lembrava que era por amor a Jesus, a Nossa Senhora e pela conversão dos pecadores. O que será que temos feito para ajudar nosso irmão na caminhada? Em nossa vida missionária, precisamos ser uns para os outros, consolo, pois quem irá entender melhor seu sofrimento, do que alguém que passa pela mesma situação? Eu te convido a neste dia, chamar um irmão de pastoral, ou um familiar para rezar com você! É necessário termos em nosso coração o desejo de chegarmos juntos no céu!    

Que possamos aprender com Lucia a sermos obedientes e fiéis aos desejos de Deus para nós, mesmo que soframos com isso. Que Jacinta nos ensine a amar os pobres pecadores e a rezarmos por sua conversão todos os dias. E que Francisco nos ensine a consolar os corações de Jesus e Nossa Senhora, tão feridos pelos pecados da humanidade.

Pastorinhos de Fátima, rogai por nós!

Jéssica Baliza

Consagrada na Comunidade Católica Divino Esposo

Referências Bibliográficas

Irmã Lucia, “Memórias de irmã Lucia”. São Paulo: edições Loyola, 2016.

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