Hoje celebramos a solenidade da natividade de São João Batista, o precursor de Cristo. A história inicia-se por meio de muita providência e confiança em Deus. Zacarias, que era um sacerdote muito importante e sua mulher Isabel, já em idade avançada, não tinham filhos, não só pela idade, mas também pela esterilidade da mulher. Isso era uma vergonha na época, pois a fecundidade sempre foi benção do Senhor para os homens. Contudo, Deus reservava um filho especial para eles, João Batista. Deus enviou, então, o anjo Gabriel para anunciar que Isabel daria à luz um homem grande diante de Deus que faria voltar muitos para o Senhor, que estaria a frente deles, com o poder de Elias, e que este seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lc 1, 1 – 25). Zacarias, por não acreditar, ficou mudo por todo o período da gestação até após o nascimento do filho.

Oito dias após o nascimento do Precursor, quando acontecia a circuncisão, queriam os seus parentes lhe dar o mesmo nome do pai, mas a mãe interviu que não, se chamaria João. Perguntaram então para Zacarias que escreveu em uma tábua “João é seu nome”, no mesmo instante sua boca se abriu e voltou a falar e glorificar a Deus por tantos prodígios junto de sua mulher Isabel (Lc 1, 57 – 80). Mais que glorificar, Zacarias profetizou sobre a vinda de Jesus e a missão de seu filho: “E tu, menino, serás profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos” (Lc 1, 76).
Como é belo perceber que Deus sonhou com a vida e a missão de João Batista! Da mesma maneira, Deus sonhou com seus profetas, discípulos e conosco. Ele sonhou conosco desde antes do ventre de nossa mãe e sonhou uma missão para nós. Já parou para pensar nisso? Não importa o que te falaram, se você foi desejado ou não por sua família, mas Deus te desejou, te sonhou e te constituiu seu filho eleito. Forte, não? (Jr 1, 5)
Mas agora você pode estar se perguntando, porque celebramos João Batista duas vezes no ano? Celebramos sua natividade e também sua morte (a páscoa eterna). Porque este santo seria diferente dos outros? Com certeza você já prestou atenção nisso: os dias dos santos correspondem sempre que possível à sua data de morte, pois para nós a morte não é o fim, mas o início para a vida nova em Cristo no céu. Contudo, porque com João é diferente? O que aconteceu em seu nascimento que foi maior que os outros tantos santos e profetas? Na verdade, o segredo está quando João ainda estava na barriga de sua mãe, quando recebeu uma ilustre visita, que nunca ninguém havia tido: a visita do próprio Menino Deus no seio da Virgem Maria!
“Naqueles dias, Maria partiu apressadamente para região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá. Ela entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espirito Santo. Com voz forte, ela exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos o menino pulou de alegria no meu ventre” (Lc 1, 39-44).
Vejamos, no calendário litúrgico da Igreja Católica é celebrado apenas três nascimentos santos, o de Jesus, o de Maria, e o de João Batista. Mas porquê? Bom, Jesus é Deus que se fez carne e habitou entre nós, logo não comungou do pecado original, foi concebido e nasceu puro; assim como ele, Maria, que foi a escolhida para gerar esse fruto, também não comungou do pecado original, ou seja, foi concebida imaculada, nasceu sem pecado. Logo, se você é bom de lógica já sacou que João Batista nasceu sem pecado também, e dessa vez você acertou! João foi concebido como nós, com o pecado original, mas com o encontro de Maria e Isabel, João, no ventre de sua mãe, recebeu o Espírito Santo que o purificou, o redimiu do pecado original e o fez nascer já santo. Olha que maravilha!!! Lembremos que anjo Gabriel havia profetizado sobre isto: “(..) e, desde o ventre de sua mãe, ficará cheio do Espírito Santo.” (Lc 1, 15b)

E agora você deve estar se perguntando: okay, mas temos vários santos e santas na Igreja, qual a diferença desse para os outros? João foi aquele que preparou o coração do seu povo para a vinda de Jesus, por isso, pela misericórdia divina, quis Deus purificar seu pequeno coração, sua pequena alma para tão grande missão. O próprio Jesus disse que João era o maior de todos os profetas! (Lc 7, 28) João percorreu grandes distâncias e anunciou como ninguém havia anunciado que Cristo que viria. Anunciou a penitência, pregava ao seu povo uma conversão sincera, de renúncias e de justiça, levou aqueles a sua volta a uma morte para si mesmo, para que, com a vinda de Cristo Jesus, todos pudessem renascer. Se alegrou por ser “amigo do Esposo” (Jo 3, 29), apontou a quem quisesse ver o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29) e por fim, amou tanto que derramou seu sangue pelo Evangelho (Mt 14, 1 – 12).
Que ao celebrarmos hoje a Solenidade de São João Batista possamos lembrar de nossas misérias, limitações, paixões e vontades, e deixar que por meio da intercessão deste santo repleto do Espírito, nós possamos morrer para nós, para nossos pecados, numa vida de conversão verdadeira, para buscarmos o Esposo de nossas almas e amar até o fim.
São João Batista, rogai por nós! Amém.
Lucas José de Sousa e Priscila da Silva
Consagrados na Comunidade Católica Divino Esposo
Referências Bibliográficas:
Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, editora Canção Nova
Catecismo da Igreja Católica. Edições Loyola
RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré – Do batismo no Jordão à transfiguração.