Hoje a Igreja celebra a festa de Santa Maria Madalena. Mas afinal, quem ela é? Muitas são as polêmicas que envolvem seu nome, em especial devido a produções heréticas realizadas por Hollywood nos últimos tempos, tais como o filme “Maria Madalena” e o “Código da Vinci”. É necessário estarmos atentos aquilo que nossa Santa Igreja tem a nos ensinar sobre essa mulher, de grande importância e exemplo de conversão e amor ao Esposo de nossas almas.

O Papa São Gregório Magno afirmou que “Maria Madalena”, “Maria de Betânia” e “Maria pecadora”, citadas nos Evangelhos, são a mesma pessoa. A beata Anna Catarina Emmerich nos relata que Santa Maria Madalena tinha três irmãos: Lázaro, Marta e Maria. Ela nasceu na cidade de Magdala e após a morte de seus pais, coube a ela o castelo, onde aos 11 anos se instalou e passou a viver de maneira suntuosa. Ainda muito nova, passou a viver diversas aventuras amorosas, enquanto seus irmãos viviam de maneira simples em Betânia e ficavam escandalizados com as histórias que ouviam sobre sua irmã (EMMERICH, p.22).
O Evangelho de São João, 8, 1-11, nos relata a passagem da pecadora adúltera, que foi levada a Jesus pelos fariseus e escribas, para ser apedrejada conforme a lei de Moisés. Contudo, Jesus não a acusa, mas a perdoa. Maria Madalena, que permitiu que tantos homens a tocassem em busca de ser amada, encontrou a totalidade do amor em um único homem, que não precisou tocá-la para amá-la verdadeiramente. Enquanto Madalena era levada para encontrar Jesus nessa passagem, ela acreditava que seria apedrejada, que ali era seu fim. Via nos olhares dos homens o desprezo que sentiam por ela, era como um objeto, um corpo a ser usado apenas. Até que ela é jogada aos pés de Cristo e ao olhar para Ele encontra um olhar de amor e de misericórdia. Ele se abaixa para rabiscar o chão, porque Cristo desce ao chão para estar perto de nós, miseráveis, pecadores… Ele sempre está mais perto dos pecadores caídos e dos humilhados para levantá-los e trazê-los à dignidade de filhos amados de Deus. E foi exatamente isso que Jesus fez com Madalena, que começou seu caminho de conversão neste primeiro encontro pessoal com Jesus.
Quando reflito sobre a vida de Santa Maria Madalena, penso que ela se parece conosco. Nosso coração foi feito para desejar as coisas do alto, para amar o Esposo de nossa alma, mas na busca para encontrá-Lo, para preencher o vazio em nosso coração, podemos nos perder no caminho, nos entregar a aventuras no intuito de aliviar a carência que existe em nosso peito, para tampar o buraco que somente Deus pode preencher.
Quantas vezes estamos vivendo em pecado e pensamos que não vamos conseguir mudar? Cometemos pecados terríveis contra o coração de Deus e acreditamos que não há como ter misericórdia que nos limpe disso… Mas basta olharmos para a vida de Santa Maria Madalena para enxergarmos que a misericórdia de Deus é grande, especialmente para aqueles que buscam a conversão. O Senhor nos ama e não quer nos condenar, mas nos salvar!
Santa Maria Madalena é um exemplo de que a conversão não acontece de um dia para o outro, ela acontece no caminho. A beata Anna Emmerich relata que foram necessários mais dois encontros com Jesus para que Madalena pudesse ter seu coração completamente mudado. No Evangelho de São Lucas 7, 1-3, temos a passagem que menciona que foram tirados 7 demônios dela. O número 7 representa a perfeição, a universalidade, o todo. Quando o evangelista menciona esse número de demônios, ele quer dizer que Madalena estava cheia de vícios. Mas ao caminhar com Jesus, estes foram vencidos. A conversão é assim, meus irmãos, ela acontece quando caminhamos ao lado de Cristo e não de repente, mas aos poucos vamos vencendo-os.
Santa Maria Madalena precisou de mais de um encontro com Cristo para vencer toda a sujeira que manchava sua vida. E vejam, não foi fácil, ela sofreu para largar os vícios, para permitir que Deus preenchesse os espaços vazios de seu coração já tão ferido.
Garrigou Lagrange nos ensina que existem três vias de conversão em nossas vidas. Na primeira delas, estabelecemos uma relação de servo-senhor, ou seja, tentamos abandonar aqueles pecados mais aparentes, os pecados mortais, na tentativa de caminharmos mais perto de Jesus. Na segunda via, inicia-se uma relação de amizade com Deus, aqui é comum vivermos uma aridez espiritual. Nesta fase, tentamos abandonar os pecados veniais que nos rodeiam e nos impedem de amar gratuitamente o Senhor. Enquanto na primeira trata-se de uma relação de amor por interesse (servo-senhor), a segunda refere-se a uma relação de amor pelo bem do outro (amor-amizade). Deus nos permite viver o tempo árido para que possamos amá-Lo verdadeiramente, ou seja, amar a Deus não porque Ele me consola e pode me dar o céu, mas pelo que Ele é. Ainda que não existisse céu, nós devemos amá-Lo apenas, e simplesmente, porque Ele é Deus! A terceira e última conversão é o amor esponsal e todos nós somos chamados a este amor, pois nele vivemos uma união completa e incorruptível com Jesus, Esposo de nossas almas.
E o que isso tem a ver com Santa Maria Madalena? Tem tudo a ver!!! Ela viveu o amor esponsal como ninguém! Como disse anteriormente, sua conversão se deu em etapas, ou seja, foi neste caminho até atingir o amor perfeito de alma esposa. Ao encontrar-se com Jesus, ela se lança em direção a Ele, de modo que quanto mais caminha em Sua direção, mais ama-O como Ele merece ser amado.
No encontro com Cristo morre a pecadora caída e levanta-se a discípula! Madalena caminha com Jesus até o fim, permanece ao lado de Nossa Senhora durante a crucifixão e morte de Jesus. Porque quem ama vai ao encontro do amado, não importam as circunstâncias, os obstáculos, não há noite escura o suficiente para deter um coração que pulsa por amor. Ela é a primeira a ver o Cristo ressuscitado, mas só o reconhece quando Ele a chama pelo nome “Maria”. Não “Maria Madalena”, a pecadora, a mulher de Magdala, prostituta dos quartéis. Mas “Maria”, a discípula! Jesus a chama pelo nome, assim como Ele faz comigo e com você!
Que assim como Santa Maria Madalena possamos amar Jesus com todo o nosso coração, com tudo o que somos! Que não olhemos nossas quedas, mas nos levantemos como discípulos que caminham com Cristo e que não medem esforços para estar ao lado dEle. Que ela nos ensine a correr em direção a Jesus mesmo na noite mais escura, com perfume no bolso, prontos a dar o nosso melhor para Ele!
Santa Maria Madalena, rogai por nós!
Jéssica Baliza
Consagrada na Comunidade católica Divino Esposo
Referências Bibliográficas
Bíblia Sagrada, tradução da CNBB.
EMMERICH, Beata Anna. “Vida e paixão do Cordeiro de Deus”. Minha biblioteca católica, 2018.
LAGRANGE, Garrigou. “As três vias e as três conversões”. Editora permanência: Rio de Janeiro, 2011.
