Salve Maria, irmãos!
Hoje é dia de nosso baluarte São Francisco de Assis, que dentre seus ensinamentos, nos deixou por herança essa belíssima oração, que muitos de nós conhecemos:
“Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz. Onde houver ódio que eu leve o amor!
Onde houver ofensa que eu leve o perdão. Onde houver discórdia que eu leve a união.
Onde houver dúvida que eu leve a fé. Onde houver erro que eu leve a verdade.
Onde houver desespero que eu leve esperança. Onde houver tristeza que eu leve alegria.
Onde houver trevas que eu leve a luz!
Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado.
Compreender que ser compreendido, amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a vida eterna!”
Ao pararmos para meditar com ela, olhando para vida deste grande santo, podemos identificar que, mais do que palavras, o seu testemunho é um reflexo do que rezamos e é para nós uma grande evangelização. Convido os senhores, a agora, pararem por um instante e comigo se aprofundarem nesta oração.

A primeira coisa que precisamos ter em nossos corações é que a oração é um diálogo com Deus, para dialogarmos precisamos saber quem somos, saber quem é o outro e então dispor de um assunto. Quem somos? Filhos de Deus, suas criaturas, dependentes de sua graça! Quem é Deus? Deus é aquele que É, onipresente, onipotente, onisciente, três pessoas em uma só natureza, o Pai, que nos Criou, o Filho que nos Remiu e o Espírito Santo nosso Paraclito.
Já colocados na presença de Deus, vamos ao assunto deste diálogo, nesta oração, São Francisco faz um apelo a Deus, para que:
- Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz: Essa Paz, da qual devemos ser instrumento, não é a paz do mundo, de um dia tranquilo e sossegado, da ausência de guerra, mas é a Paz que vem de Deus, a Paz que habita na confiança inabalável no Pai, a paz de quem tem a certeza de que está lutando pelo Único Necessário! Paz da alma que, mesmo nas tribulações, permanece em Deus. Devemos em nosso abandono ser instrumentos nas Mãos de Deus, para que por meio de nós a Paz de Cristo inunda os corações! E como ser instrumento para alcançarmos essa Paz? Fazendo da nossa vida um Evangelho vivo!
- Onde houver ódio que eu leve o amor: “Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios, mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem. Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação. Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda a espécie de maldade. (Ef 4,29-31) Devemos buscar a caridade, o Amor, que é o próprio Cristo, e levá-Lo aos corações de nossos irmãos. Não podemos permitir que em nosso meio habite o ódio, que separa, que mata o outro, que nos arranca desta Paz, que fecha os nossos corações.
- Onde houver ofensa que eu leve o perdão: “Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo.” (Ef 4,32) O primeiro passo para a abertura de nossos corações é a liberdade que provém do perdão. Pedir perdão a Deus pelas inúmeras ofensas que causamos a Ele, o perdão a nós mesmos pelas feridas causadas pelo pecado e o perdão ao irmão, que muito nos fere. No perdão mora a caridade; pois perdoar é também decisão, não é sentimento, é uma ação de quem está determinado a amar!
- Onde houver discórdia que eu leve a união: “Um reino dividido se arruinará” (Mt 12, 25), a unidade e integridade de coração é extremamente necessária para que nos mantenhamos de pé. É preciso que sejamos um com Cristo, um com a Igreja e viver na unidade entre irmãos, por isso a busca pela caridade e pelo perdão, pelo diálogo e pela fé;
- Onde houver dúvida que eu leve a fé: “Vê! Tua fé te salvou”. (Lc 18, 42) É pela fé que encontramos as respostas para o que não compreendemos, pela fé que as discordâncias encontram a concórdia. Não podemos temer em pregar nossa fé, em levá-la aos corações, pois é por meio dela que os corações perdidos encontram o Caminho!;
- Onde houver erro que eu leve a verdade: “meu povo se perde por falta de conhecimento” (Os 4, 6)Não podemos temer em corrigir os nossos irmãos, em levá-los à Verdade, pois a verdade liberta! O respeito humano, muitas vezes nos deixa com receio da correção, porém a exortação é também um ato de amor, é desejar a salvação ao próximo. Estudar e nos aproximar da Verdade, combater os erros e as heresias é ter caridade;
- Onde houver desespero que eu leve esperança: “a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana.” (Rm 5, 4-5) Sem esperança, não há ânimo, e o desespero nos leva a tomar decisões erradas e precipitadas. Lembrar de onde viemos e para onde vamos, do plano salvífico de Deus para nós, da razão de nossa existência, do amor que Deus tem por nós e da eternidade é caminhar rumo à esperança, é ter a certeza de que não estamos desamparados. Esperar em Deus, cientes de que Ele nunca nos abandona!;
- Onde houver tristeza que eu leve alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4, 4) A tristeza é por vezes o caminho que nos afasta de Deus, quando num extremo, ela nos leva a um olhar voltado a nós mesmos, nos prende e nos arrasta ao pecado. Mas nós, somos chamados a alegria verdadeira, que é eterna e que brota do Evangelho, da prática dos mandamentos, da vida de oração e intimidade com Deus, que mesmo em meio as dificuldade encontra na misericórdia e no amor divino a razão para sorrir;
- Onde houver trevas que eu leve a luz!: “Vós sois sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13), eis nossa vocação, como Cristo ilumina os nossos caminhos, devemos iluminar o caminho de nossos irmãos. Cristo nos tirou das trevas, da escuridão do pecado e nos deu a luz da salvação, assim devemos agir com nossos irmãos e os guiar para o caminho da salvação!
E como temos vivido, irmãos, sendo nós filhos espirituais de São Francisco, temos levado o amor, o perdão, a união, a fé, a verdade, a esperança, a alegria por onde andamos, a quem nos relacionamos? Temos sido luz neste mundo?
A partir deste momento, a oração nos leva a uma realidade também apresentada pelo nosso baluarte, que é a “perfeita alegria”, esta que não está em ser o melhor ou o maior, em possuir bens, em ser o mais amado, mas no poder servir e se igualar em tudo e ao máximo ao Nosso Senhor Jesus Cristo.
- Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado: “O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20), o Filho de Deus, não encontrou abrigo, e em uma manjedoura veio ao mundo, recusado por muitos, não encontrou consolo. Por nós sofreu, deixou ser por nós ferido e, em suas lágrimas desconsoladas, nós encontramos o consolo. Quem somos nós para querer viver de consolações, a negar o sofrimento?
- Compreender que ser compreendido: “Estas palavras são duras demais” (Jo 6, 60), poderíamos nós dizer junto aos discípulos de Jesus. Durante toda sua pregação, Jesus foi por vezes incompreendido, e ainda hoje O é, mas Ele compreende o homem, vê sua fraqueza, sabe de suas limitações e lhe oferece Sua Misericórdia. Quem somos nós para querer ter razão em tudo, não ouvir e acolher nossos irmãos?
- Amar que ser amado: “O Amor não é amado!”, exclamou São Francisco de Assis. Jesus, deu-Se sem reservas, mostrou-nos o verdadeiro significado do que é amar, que é dar a vida pelo irmão, gastar-se por completo, sem esperar nada em troca. Ele nos amou até a última gota de Seu Preciosíssimo Sangue. E ainda hoje continua a não ser amado, continua a ser esquecido, não querido pelos homens. Quem somos nós, para então desejar ser amado por todos, quem somos nós para não amá-Lo de volta?
- Pois é dando que se recebe: “Porque o que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, irá salvá-la.” (Mc 8, 35) O sacrifício de amor de Cristo, nos deu a vida eterna, aquele pois que se dispõe a doar-se por Deus, em Deus ganha e ganha muito mais do que perde! Despojando-se de tudo, perdendo até sua vida, Cristo ganhou para Si, todas as almas. Quem somos nós para temer perder, para querer reter em nós os dons que o próprio Deus nos deu?
- É perdoando que se é perdoado: “[…] Então, o senhor o chamou e lhe disse: ‘Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste. Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?’. E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida. Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo o seu coração.” (Mt 8, 23-35) Quem não perdoa o seu irmão, como vai desejar ser perdoado por Deus? Deus é misericórdia, mas é também justiça, remir-nos de nossos pecados por um preço altíssimo, Nosso Senhor Jesus Cristo derramou até a última gota de Seu preciosíssimo sangue para que tivéssemos a reconciliação e dia após dia, se dispõe a perdoar-nos quantas e quantas vezes for necessária. Se Deus, Soberano, não nega o perdão a nós que tanto O ferimos, quem somos nós para negar o perdão aos nossos irmãos?
- E é morrendo que se vive para vida eterna: “Pois aquele que perder sua vida por causa de mim, irá ganhá-la” (Mt 16,25). Só há um modo de ter a vida eterna, que é morrendo para este mundo e buscando a vida em Deus, quem por Ele se gasta, nEle será recompensado! Pensemos nos santos mártires, que a exemplo de Nosso Senhor, deram suas vidas para não perder a amizade com o Pai, o sangue destes é semente de santidade para todos os cristãos, são eles sempre lembrados aqui na terra, e lá no Céu corados pela eternidade. Se desejamos a vida eterna, devemos também estar dispostos a diariamente viver o martírio, na busca da eterna união com Deus.
Nosso querido baluarte, nos aponta o caminho, essa súplica constante a Deus, o garantiu assemelhar-se tanto a Nosso Senhor que hoje é ele reconhecido como Pai Seráfico, e muitos dizem que não há homem no mundo que mais se assemelhou a Cristo. Que como seus filhos espirituais, sigamos seus passos, sendo instrumentos de Deus, no amar, no dar-se, no perdoar e no morrer.
Ó Maria, perfeito modelo dos Cristãos, ajude-nos a cada vez mais assemelharmo-nos ao Vosso Filho!

Referências Bibliográficas:
Bíblia Sagrada