Salve Maria!
Meus irmãos, neste dia tão grandioso em que celebramos a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus, somos convidados a mergulhar nos belos mistérios que o Senhor permitiu com que ela vivesse: a sua missão, que é hoje para nós itinerário para o Céu. E… qual a missão de santa Teresinha?
“(…) Mas sinto, sobretudo, que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o Bom Deus como eu o amo, de dar a minha Pequena Via às almas.” (Caderno Amarelo, p.916, 2021), diz nossa santa há poucos meses de seu falecimento, já doente, esperando a morte. Eis a inquietude do seu pequeno coração, do qual brotava uma chama ardente e insaciável por amar a Deus: tendo vivido a pequena via, agora era preciso ensiná-la. Essa é sua missão, que estava cravada em seu ser: amar a Deus e fazê-Lo amado, pois compreendeu que poderia saciar a sede do Bom Deus levando as almas para Ele.

“Parecia-me ouvir Jesus me dizer como à Samaritana: “Dá-me de beber!” Era uma verdadeira troca de amor; às almas, eu dava o sangue de Jesus; a Jesus, eu oferecia estas mesmas almas refrigeradas por seu orvalho divino. Assim, parecia-me saciá-lo; e quanto mais lhe dava de beber, mais a sede de minha pobre alminha aumentava. E esta sede ardente que Ele me dava era como a mais deliciosa bebida do seu amor…” (Manuscrito B, p. 171)
Quando lemos e meditamos os escritos desta pequena grande santa, podemos ter a graça de reconhecer em nós desejos e dificuldades semelhantes… Ah, o desejo das almas de serem santas, de quererem agradar a Deus! Mas, estas olham para si e reconhecem que não é possível! Santa Teresinha passou por isso também.
“Ser tua esposa, oh, Jesus; ser Carmelita; ser, por minha união contigo, mãe das almas, deveria ser bastante para mim… Não é assim… Sem dúvida, estes três privilégios bem constituem minha vocação: Carmelita, esposa e mãe. Contudo, sinto em mim outras vocações. Sinto em mim a vocação de guerreiro, de Sacerdote, de Apóstolo, de Doutor, de Mártir. Enfim, sinto a necessidade, o desejo de realizar por ti, Jesus, todas as obras, as mais heroicas…”
Contudo, muitas vezes, nós, sabendo das nossas fraquezas, limitações e pequenez, começamos a dar desculpas para nossos erros, limitamos o desejo de nossa alma, matamo-lo! Sim, parece estranho dizer isto, mas quando percebemos em nós desejos de santidade, de alcançar o Céu, e vemos que não conseguimos, desistimos do sonho, podamos este pulsar do Espírito Santo em nós com tantas desculpas… E acabamos voltando aos pecados. Que triste! Que grande tragédia é uma alma que desiste de buscar o caminho de santidade que é a vontade de Deus para todos nós…
Não, não fique triste! Santa Teresa cumpriu muito bem sua missão e continua a cumpri-la do Céu a nos ensinar o seu modo de amar a Deus, o seu modo de caminhar para a santidade que é a Pequena Via. Esta parece contraditória: como amar muito ao Nosso Senhor se não encontramos em nós capacidades para isto? Teresinha nos ensina que, na verdade, não devemos buscar em nós esse amor para dá-lo, mas devolver a Ele o mesmo amor com que nos amou. “A nós cabe permitir que Ele nos ame, sem dificultar o seu projeto de amor, e em seguida, retribuir-lhe.” (Pe. Paulo Ricardo)

E para amar com o amor de Deus em nós, é preciso fazer o grande esforço em desaparecer. A bem pequenininha Teresa acolheu todos os sofrimentos e humilhações com grande amor, sua preocupação era de entregar-se a Deus totalmente, como holocausto de amor, não importava o que estivesse vivendo. “Jesus, sou por demais pequena para fazer grandes coisas… Minha loucura consiste em esperar que teu Amor me aceite como vítima…” (Manuscrito B, p. 177)
Esta é a pequena via, é o entregar-se inteiramente a Deus como oferta de amor em tudo o que fizermos, até mesmo nas mais pequenas e insignificantes coisas. Santa Teresa entende que o que santifica as almas não é a grandiosidade das obras que podemos fazer, mas a grandiosidade de amor com que podemos realizar cada ação em nosso dia-a-dia, por menor que seja, como um pequeno passarinho…
“Oh, Jesus! Meu primeiro, meu único Amigo, a quem amo UNICAMENTE, dize-me que mistério é este?… Por que não reservas essas imensas aspirações às grandes almas, às águias que pairam nas alturas?… Considero-me como um fraco passarinho coberto apenas de uma leve penugem. Não sou águia; dela tenho simplesmente os olhos e o coração, pois apesar de minha pequenez extrema, ouso fixar o Sol Divino, o Sol do Amor, e meu coração sente em si todas as aspirações da águia… O passarinho quisera voar até este brilhante Sol que encanta seus olhos, quisera imitar as águias, suas irmãs, que vê elevarem-se até o Foco divino da Trindade Santa… Mas, ai! Tudo o que pode fazer é levantar suas asinhas; voar, porém, não está ao seu pequeno alcance! O que irá fazer? Morrer de tristeza, vendo-se tão impotente?… Oh, não! O passarinho nem sequer vai se afligir. Com um audacioso abandono, quer continuar fixando seu divino Sol. Com um audacioso abandono, quer continuar fixando seu divino Sol. Nada seria capaz de o assustar; nem o vento, nem a chuva, e se sombrias nuvens vêm esconder o Astro do Amor, o passarinho não mudará de lugar. (…) É verdade que, às vezes, o coração do passarinho se vê assaltado pela tempestade. (…) Então, é o momento da alegria perfeita para o pobrezinho tão fraco. Que felicidade para ele permanecer, assim mesmo, a fixar a invisível luz que se oculta à sua fé!” (Manuscrito B, p.175-176)
Então, meus irmãos, voemos para encontrar o Senhor e Esposo de nossas almas! Amemos na pequenez, no escondimento, nos pequenos sacrifícios, que são rosas desfolhadas depositadas aos pés do Senhor, nosso Rei.
Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, rogai por nós e nos ensine a viver no escondimento a pequena via.

Referências Bibliográficas:
S. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, Obras Completas: escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002.