Cruz: não morte, mas vida!

Hoje, com grande reverência, a Igreja celebra a festa da Exaltação da Santa Cruz. Mas, você pode se perguntar: devemos nós celebrar aquilo que foi o instrumento da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo? Não deveria ser ela causa de dor e tristeza para nós?

Com razão, a olhos humanos, a Cruz parece-nos sinal de morte, fonte de tristeza e de sofrimento. Diante da Cruz, nosso primeiro instinto é o da aversão, olhamos para tal sinal e nada vemos além do fim. E toda essa visão é reafirmada em um mundo cujo lema é “foge da dor e busque o prazer”. De fato, quando colocamos essas duas realidades frente a frente, o Mistério da Cruz parece mesmo ser loucura.

Mas, devo dizer que nós cristãos somos convidados a olhar não somente com olhos humanos, mas com olhos espirituais. A Cruz de Cristo é, na verdade, sinal de vida! Isso mesmo, pois foi ela o instrumento de nossa salvação! Ela é, como nos diz a Santa Igreja: “Ave Crux, spes unica!” – Salve a Cruz, nossa única esperança!

Cristo Esposo

Em Seu infinito amor, quis o Bom Deus firmar conosco uma Nova e Eterna Aliança, essa que nos redimiria de nossos pecados e reabriria a nós as portas do Céu. E o meio utilizado para tanto foi a vinda de Seu Único Filho ao mundo, para desposar-se da humanidade criando assim esse laço esponsal que é inquebrável; e esse matrimônio deu-se na entrega total de Jesus sobre o lenho da Cruz.

A Cruz então, tornou-se árvore da vida, pois nela pendia o Fruto da nossa redenção, que A banhou com Seu Preciosíssimo Sangue! Eis que Ela se tornou o leito nupcial onde o Esposo une-se à esposa. Que alegria, meus irmãos! Já não somos mais escravos do maligno, agora somos almas esposas de Cristo, a Ele pertencemos, por Ele fomos libertos!

Na Cruz a morte não teve a última palavra, foi ela por Cristo vencida, “Eu sou o Primeiro e o Último, aquele que vive. Estive morto, mas agora vivo pelos séculos dos séculos. Eu tenho a chave da Morte […]” (Ap 1,18). Por possuir a chave da morte, Cristo tem o poder de dar a vida Eterna aos Seus justos. Podemos agora ter novamente a chance que uma vez foi perdida por nossos pais, Adão e Eva, de gozar das alegrias do Paraíso. Como então não se festejar? Como então não dar a devida reverência à Cruz que, por Cristo, nos garantiu tamanha vitória?

Por meio dEla, Jesus uniu-se a todas as dores da humanidade, sentiu cada uma delas, dando sentido a todo o sofrer. A “fragilidade” de Cristo na Cruz é a certeza de que Deus se faz presente em nossa vida, Ele não está alheio ao nosso sofrimento. Jesus, como nos disse o Papa Francisco durante a via sacra na JMJ do Rio em 2013, “transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida”.

Vida, irmãos, vida plena, não essa que o mundo nos oferece, onde se faz necessário estar a todo momento vivendo no prazer, pois “ Com efeito, que adianta alguém ganhar o mundo inteiro e perder-se?” (Mc 8, 36). A vida do mundo agora se torna a verdadeira loucura quando paramos para pensar que todos um dia iremos morrer e tudo não passará de pó. Qual será a valia de tantos prazeres, se perecermos pela eternidade? De que terá valido a fuga da cruz, se teremos um sofrimento ainda pior por toda a eternidade? Isto é a verdadeira loucura!

Ao meditarmos hoje esse mistério, o Senhor vem fazer-nos novamente um convite: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34). Se, de fato, queremos ser seguidores de Cristo, imitadores de Cristo, este é o caminho! Devemos ter em mente que o fardo da nossa cruz   é sempre mais leve e quando abraçamos a Cruz de Cristo, pois nEla, entre nós e o madeiro lá está Ele de braços abertos a nos receber.

Te convido a ainda hoje se deter por um instante diante da Cruz, olhe para ela, contemple Quem ela carrega e faça um ato de união, reconheça-se em primeiro lugar como alma esposa, sua pertença a Cristo e diga-Lhe: “Senhor, por Sua entrega na Cruz, eu pertenço a Vós!”. Entregue então a Ele todas as suas cruzes, “São tuas Senhor, todas as minhas cruzes, minhas dores, minhas lutas, meus problemas e sofrimentos”, tome sobre si a Cruz de Cristo e peça-Lhe o auxílio necessário para carregá-la, “Hoje, Senhor, tomo sobre mim a Tua Cruz, o leito das almas esposas, desejo seguir-Te! Dai-me todas as graças necessárias para Contigo carregá-la”.

Finalizo com as palavras de São Paulo, aquele que soube bem viver o mistério da Cruz, e pode nos ensinar a desse modo vivê-lo: “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Para os chamados, porém, tanto os judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus, pois o que é loucura de Deus é mais sábio que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens. ” (1Cor 1, 23-25)

Eis a Cruz de Cristo, leito das almas esposas! Amém!

Giovana Vinci dos Santos

Consagrada na Comunidade Católica Divino Esposo

Referências bibliográficas:

Biblia Sagrada, tradução oficial da CNBB

Catecismo da Igreja Católica

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