“As almas se perdem, apesar da Minha amarga Paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da Minha Misericórdia. Se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão por toda eternidade.” (Diário, 965)
Salve Maria! Inicio esse texto com as palavras de Jesus à Santa Faustina Kowalska, palavras que foram retiradas do diário escrito por ela a pedido de Jesus. Isso porque hoje comemoramos a Festa da Divina Misericórdia, que foi instituída por São João Paulo II, no dia 30 de abril de 2000, mesmo dia em que se deu a canonização de Santa Faustina. Meus irmãos, este é motivo de grande alegria para nós, visto que a santa misericórdia é a nossa última tábua de salvação, pois “se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão por toda eternidade” (Diário, 965).

Mas, o que isso significa?
Há poucos dias vivemos a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo que, ao Se encarnar no ventre da Santíssima Virgem, veio ao mundo em sinal da divina misericórdia do Pai. O homem jazia nas trevas do pecado, para ele já não havia salvação, então, pelo infinito Amor do Pai, as trevas do mundo deram lugar à Luz Divina: Cristo, o Sumo Bem, que por Sua morte, deu-nos a Vida!
Foi na Cruz que Deus mostrou a nós o quão grande é Sua misericórdia, não poupando seu Único Filho para que obtivéssemos a remissão de nossos pecados. Das chagas de Cristo vieram a nós o Preciosíssimo Sangue, que nos purifica e nos alveja, e do lado aberto, do Coração ferido de Nosso Senhor, jorraram os rios de misericórdia: “mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e imediatamente, saiu sangue e água.” (Jo 19, 34)
Sendo assim, em Sua primeira vinda, Jesus veio a nós como Pai das misericórdias, porém, em Sua vinda segunda, Ele virá como Pai da Justiça, “Ele vem julgar a terra, julgará o orbe da terra com Justiça e, na sua verdade, os povos” (Sl 96, 13) e “também vós ficai preparados, pois na hora que menos pensais virá o Filho do Homem” (Lc 12, 40). Com a justiça divina, meus irmãos, não existe um “jeitinho brasileiro”, cada um de nós será julgado conforme aquilo que praticarmos. Como disse Maria Santíssima à Santa Faustina: “Eu dei o Salvador ao mundo, e quanto a ti, deves falar ao mundo da Sua grande misericórdia, preparando-o para Sua segunda vinda, quando virá não como Salvador misericordioso, mas como justo Juiz.” (Diário, 635)
E é justamente aí que se encontra a última tábua de salvação: “Falai e procedei, pois, como pessoas que vão ser julgadas pela Lei da liberdade. Pensai bem: o julgamento vai ser sem misericórdia para quem não praticou misericórdia; a misericórdia, porém, triunfa sobre o julgamento.” (Tg 2, 13). Eis aí, irmãos, enquanto não volta o Senhor, Ele nos dá a última chance de salvação, que é a confiança plena em Sua misericórdia! Quem aqui na terra viver de misericórdia, alcançará, pois, a misericórdia no Céu. E como viver esta misericórdia? Buscando sempre uma união maior com nosso Deus, amando-O com todo nosso coração, colocando nossa confiança nEle e amando-O em nossos irmãos, praticando as obras de misericórdia para com eles.
Trago essa verdade não para que tenhamos medo (não se é preciso temer a justiça divina) mas a escrevo para que, de fato, vejamos o quão grande é a bondade de Deus. Quantos motivos não tem o Senhor para Se afastar de nós? O quanto ferimos Seu coração, mas Ele continua conosco, e nos dá mais uma, duas ou quantas chances forem necessárias para que voltemos? Por isso, faço um apelo: voltemos, irmãos, voltemos ao Senhor enquanto é tempo!
Você pode estar pensando, “não, não sou capaz de viver assim” ou até mesmo “como vou sair dessa vida, para mim não há mais jeito”… Deixo, então, para vocês a mensagem de São João Paulo II, em sua homilia da festa da misericórdia em 2001: “Um simples acto de abandono é o que basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado.” Vejam que bela notícia: a misericórdia não é apenas para os santos, mas, é justamente para os pecadores e basta um simples ato de abandono, basta que acreditemos na bondade de Deus e, a partir de então, pedirmos um coração realmente contrito e que deseja voltar para o Senhor.

Para nos ajudar a voltar para o Senhor, viver bem essa relação com a misericórdia e alcançar as graças que dela podemos obter, o Senhor deu, por meio de Santa Faustina, pequenas devoções:
- Em primeiro lugar, a imagem de Jesus misericordioso, “Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós”, e junto dela o Senhor nos faz uma promessa “Prometo que a alma que venerar essa Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na terra, a vitória sobre os inimigos, e especialmente na hora da morte. Eu mesmo a defenderei como Minha própria glória” (Diário, 47-48)
- Logo após, como já vimos, a Festa da Misericórdia, que deve ser realizada no primeiro domingo após a Páscoa (Hoje!) “[…] No primeiro domingo depois da Páscoa e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia” (Diário, 49) e nesse dia o desejo do Coração do Senhor é de derramar sobre nós Sua misericórdia e de que nos aproximemos dEle “Que o pecador não tenha medo de se aproximar de Mim. Queima-me as chamas da misericórdia; quero derramá-las sobre as almas” (Diário, 50)
- A novena da misericórdia “Faz uma novena na intenção do Santo Padre, a qual deve consistir em 33 atos, isto é, repetir tantas vezes a oração da misericórdia que eu te ensinei.” (Diário, 341), sendo esta oração “Ó sangue e Água que jorraste do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós” (Diário, 309). E junto da novena, temos o terço, “Essa oração serve para aplacar a minha ira. Tu a recitará durante nove dias, por meio do terço do rosário, da seguinte maneira: Primeiro dirás o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Creio. Depois, nas contas do Pai-Nosso, dirás as seguintes palavras ‘Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro’. Nas contas da Ave-Maria rezarás as seguintes palavras ‘Pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro’. No final, rezarás três vezes estas palavras: ‘Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.’” (Diário, 476)
- E por fim, temos a ladainha e a Hora da misericórdia, sendo que a ladainha foi composta por Santa Faustina, e pode sempre ser repetida como uma súplica a Deus e a hora, foi um pedido do próprio Jesus “Às três horas da tarde, implora a Minha misericórdia especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve momento, reflete sobre a Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Essa é a Hora da grande misericórdia para o mundo inteiro[…] Nessa hora, nada negarei à alma que Me pedir pela Minha Paixão…” (Diário, 1320)
Todas essas devoções são um caminho pelo qual podemos nos aproximar de Deus e de modo muito particular, lançar-nos, abandonarmo-nos nEle, cientes de que a vontade do Pai é que o Filho não perca nenhum daqueles que lhes foram entregues (Jo 6, 39). Por isso, irmãos, Jesus nos dá Sua Misericórdia para que não mais nos percamos mas, confiantes nEla, busquemos a nossa conversão e um coração cada vez mais dócil e íntimo ao Sagrado Coração.
Que nesta Festa da Misericórdia, o seu coração se inflame de amor por Nosso Senhor e com o auxílio de Santa Faustina e de São João Paulo II, apóstolos da Misericórdia, sejamos nós também propagadores da Misericórdia!
Santa Faustina e São João Paulo II, rogai por nós!
Giovana Vinci dos Santos
Consagrada na Comunidade Católica Divino Esposo
Referências bibliográficas:
Faustina, Santa. Diário: a misericórdia divina na minha alma. Apostolado da Divina Misericórdia: Paraná, 2018
Bíblia Sagrada, tradução oficial da CNBB.