O que é o jejum?

Salve Maria,

Você sabe o que de fato é o jejum? Sabe como bem vivê-lo? Conhece o que diz a Igreja a respeito disso? Se em seu coração ainda existem dúvidas quanto a isso, este texto foi feito especialmente para você! Hoje tentaremos esclarecer alguns dos questionamentos que temos quanto a esse precioso tema.

Jejum é passar um determinado período de tempo sem ingerir nenhum tipo de alimento ou ingerí-lo em menor quantidade e é também, segundo a Igreja, uma das formas de penitência (CIC 1434). Sendo assim, existem diversas maneiras de se viver o jejum, dentre elas temos:

  • Jejum mais recomendado pela Igreja: Realizar apenas uma refeição completa ao dia e mais uma ou duas outras parciais caso necessário, ou seja, lanches simples evitando doces e guloseimas;
  • Jejum total: Café da manhã antes das 9h e abster-se completamente de alimentos durante o dia;
  • Jejum parcial: Café da manhã antes das 9h e realizar apenas uma refeição completa no dia;
  • Jejum a pão e água: Café da manhã antes das 9h e o resto do dia comendo apenas pão e bebendo apenas água;
  • Jejum à base de líquidos: Café da manhã antes das 9h e o resto do dia ingerindo apenas alimentos líquidos (sopas, suco, chás).

O jejum, segundo o Código de Direito Canônico (1249-1252), é obrigatório a todo católico dos 18 aos 59 anos de idade na quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, dias em que a Igreja de forma muito particular é convidada a viver a penitência e unir-se aos sofrimentos de Jesus Cristo. Deve-se observar que o jejum é o quarto mandamento da Igreja:

“Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”(CIC 2043)

ou seja, estar em desacordo com este mandamento é colocar-se em pecado mortal. Essa prática é também recomendada durante a quaresma, onde somos chamados a praticar a penitência de modo mais intenso, em memória do período de tentação de Jesus no deserto e na preparação para a Páscoa.

Vale a pena lembrar que jejum é diferente de abstinência. A abstinência é retirar um alimento específico durante um período de tempo. Na Igreja, vivida por meio da retirada da carne, ao qual também faz parte do quarto mandamento da Igreja, ou seja, deve-se ser vivida também na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão, sendo ela também prescrita em todas as sextas-feiras do ano, exceto em solenidades. Originalmente, a abstinência é vivida por pessoas a partir dos 14 anos, por meio da retirada de todo o tipo de carne, exceto peixes e frutos do mar, porém visto a realidade de muitos, em alguns lugares como o Brasil, ela pode ser substituída por algum outro tipo de alimento que te faça gosto, obras de caridade e a meditação da Paixão de acordo com o que aprova a Conferência Episcopal do lugar (Cân. 1253).

Mas, por que jejuar?

Nos dias de hoje, em que o nosso prazer e a nossa felicidade é o que se deve levar em conta, se submeter ao jejum parece ser loucura. Porém, nós católicos, vemos no jejum um meio de nos aproximarmos cada vez mais do Senhor e de nossos irmãos.

“O jejum coloca o nosso corpo em ‘um estado de necessidade, de desejo’ e se nosso corpo está nesse estado, é mais fácil que nossas almas estejam nessa mesma condição. Lembra-nos de que não somos autossuficientes. Com nossa fome de comida fica mais fácil recordar nossa fome de Deus”.

Paiva, p.20

Ao jejuarmos unimo-nos a Jesus, que ao passar 40 dias jejuando no deserto, santificou o jejum e nos deu um caminho a ser seguido para vencermos nossos pecados e tentações. Pelo jejum, somos capazes de interceder pelos nossos irmãos, pois podemos oferecê-lo não somente em reparação aos nossos pecados, mas aos de todo o mundo.

“Procura a fome para ajudar os outros, mas sempre com o sorriso, porque tu és um filho de Deus e o Senhor ama-te muito e revelou-te estas coisas” (Papa Francisco, 2018). De modo muito particular, o jejum serve a nós como penitência interior, ele nos ajuda a controlar nossas paixões e vícios e nos leva à conversão do coração, que é o fim último de todas as penitências. (CIC 1430)

Na prática do jejum, é importante não esquecermos que ele deve ser feito acompanhado de um profundo espírito de oração e de grande humildade, de nada vale mortificar a carne se não permitirmos que a mudança interior aconteça. É necessário possuir reta intenção ao se jejuar, pois o jejum não pode ser para nós um motivo de orgulho. Não podemos nos achar melhores do que os outros por praticá-lo, correndo o risco de fazer crescer nossa soberba e muito menos devemos murmurar ou alertar aos outros sobre nosso jejum: “tu porém quando jejuares, perfuma a cabeça e lava teu rosto, para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está em segredo” (Mt 6,17).

Como então viver bem o jejum?

Em primeiro lugar, como já foi dito, devemos ter em nosso coração a reta intenção de vivê-lo, não por meras aparências, mas por desejarmos nos unir mais perfeitamente a Cristo, por amor! “Se não podes fazer o jejum total, aquele que faz sentir a fome até aos ossos, pelo menos faz o jejum humilde, mas verdadeiro.” (Papa Francisco, 2018).

Pode-se escolher qualquer um dos jejuns apresentados, de acordo com suas condições, sempre lembrando que também é nosso dever cuidar de nossa saúde, por isso tome cuidado para não se prejudicar. Ao realizar o jejum não se esqueça de oferecê-lo ao Senhor por meio da oração, a Comunidade costuma rezar assim: “Senhor, ofereço esse jejum por amor a Ti, pela conversão dos pobres pecadores e em reparação aos pecados cometidos contra o Imaculado Coração da Santíssima Virgem Maria” (Santa Jacinta Marto). O jejum não substitui a abstinência, portanto, em dias prescritos para se viver os dois, como a quarta de Cinzas e a Sexta-feira Santa, devemos realizar ambos! A quaresma e o advento são os tempos mais propícios para realizarmos jejuns, mas nada nos impede de vivê-los durante mais vezes ao ano.

Ao falar sobre quaresma aos fiéis, o Papa Leão XIV diz:

“[…] o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os ‘apetites’, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.”

Mensagem do Papa para a Quaresma 2026

Ao jejuarmos devemos ter em nosso coração o desejo de viver a Palavra de Deus, e reconhecer a nossa verdade, que somos filhos de Deus, mas nossos pecados, nossos apetites nos afastam dEle, e sermos coerentes: se o pecado me afasta de Deus, estarei vigilante contra ele! E eis então uma das armas contra o pecado: o jejum, pois se não conseguimos controlar nossa alimentação, como controlaremos nossos apetites? Se tivermos o controle sobre nossos desejos, sobre nossa carne, conseguiremos assim nos livrar de nossos vícios e pecados.

Agora que conhecemos e sabemos como vivê-lo, que utilizemos bem essa “Santa Arma” que é o jejum, que nos santifica e nos faz cada vez mais semelhantes a Cristo!

Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso!

Giovana Vinci dos Santos
Consagrada na Comunidade Católica Divino Esposo.

Referências bibliográficas:

https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-02/papa-leao-xiv-mensagem-quaresma-2026-jejum-palavras.html
https://padrepauloricardo.org/blog/o-jejum-e-a-oracao-que-dao-frutos
https://padrepauloricardo.org/episodios/como-e-quando-guardar-o-jejum-e-a-abstinencia
https://www.comshalom.org/normas-basicas-para-o-jejum-da-quaresma

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2018/documents/papa-francesco-cotidie_20180216_verdadeiro-jejum.html

https://padrepauloricardo.org/episodios/de-que-carne-se-abster

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