Hoje celebramos com solene honra e amor os dois pilares centrais da Santa Igreja: São Pedro e São Paulo, os principais apóstolos de Jesus. Ambos foram santos que, apesar de histórias tão distintas, uniram-se à missão que o próprio Cristo os confi0u.
Desde tempos remotos, estes dois apóstolos eram retratados juntos nas antigas iconografias e celebrados no mesmo dia. Mas… por quê? Vejamos agora como estas histórias se uniram.
Pedro, que significa pedra, rocha, foi o nome dado por Jesus a Simão, filho de Jonas. Era um galileu simples, de um pequeno vilarejo de pescadores, situado à beira do mar da Galileia chamado Betsaida. Estava vindo de uma noite inteira de desgostos… por mais que tentasse, nada tinha conseguido pescar. Até que é chamado por Jesus, deixa tudo para segui-Lo e ser pescador de homens. Bem conhecemos este apóstolo com personalidade forte, que sempre se destacava entre os demais, respondia quando todos se calavam, esteve com Jesus em momentos fortes de Sua vida (na transfiguração, na agonia) junto apenas de Tiago e João, e que recebeu do Mestre a missão especial de edificar a Sua Igreja, tornando-se o primeiro Papa: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue que te revelaram isso, mas meu Pai que está nos céus. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra, será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16, 17-19)
Paulo, que significa “pequeno”, também recebe este novo nome com sua missão de ser tão grande evangelizador da história do cristianismo. Contraditório? Claro que não! Pois foi nas suas fraquezas que se viu forte, na força do Espírito Santo! Saulo era um judeu que muito conhecia de literatura e filosofia, educado em escola rabínica, era natural de Tarso, na Silícia. Ele era um fariseu fiel às leis, torna-se perseguidor dos cristãos que estavam desvinculando tantos judeus da religião judaica. Até que Saulo tem um encontro com Cristo ressuscitado: “Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saul, Saul, por que me persegues?’ Saulo perguntou: ‘Quem és tu, Senhor?’ A voz respondeu: ‘Eu sou Jesus a quem estás perseguindo. Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te dirão o que deves fazer.” (Atos 9, 4-6) E a partir deste momento, toda sua força será empregada para levar o Evangelho de Jesus a todas as nações.
Pedro, após Pentecostes, é impelido a levar a Palavra a todos os judeus, convertendo milhares de pessoas já na primeira pregação e torna-se a figura central da Igreja. Nesta época, a Igreja era chefiada por bispos (apóstolos) em patriarcados, ou seja, em sedes principais divididas em regiões, e a sede principal era em Roma, a capital do Império Romano, centro principal de toda a perseguição aos cristãos, e Pedro era o bispo de lá.
Paulo torna-se o apóstolo dos gentios, leva a Palavra aos judeus, mas, em especial, aos pagãos de muitas regiões. “De fato, o mesmo que tinha preparado Pedro para o apostolado entre os judeus, preparou também a mim para o apostolado entre os pagãos.” (Gl 2, 8) Em sua peregrinação, encontra-se com Pedro em Jerusalém, depois em Antióquia, onde puderam contemplar a vontade de Deus nos rumos da evangelização. Por fim, encontram-se em Roma, “onde ambos eram esperados para a última prova. Todavia, esteve sempre unido com Pedro, e Pedro com ele, nisto: em Deus se comprazer revelando nele o Seu Filho.” (S. João Paulo II)
E assim, unidos pelo propósito de evangelização, unidos sofrendo as perseguições aos cristãos, unidos pelo amor a Jesus, também se unem no martírio em Roma, na mesma época, sob a perseguição do imperador Nero. Paulo, por ser judeu, tinha direito a uma morte menos vergonhosa, morreu decapitado à espada. Enquanto Pedro é crucificado, mas pede que seja de cabeça para baixo, pois não se achava digno de morrer como Seu Senhor.
Assim, hoje, a Igreja, ao festejar São Pedro e São Paulo, “olha para si mesma”, como nos ensina São João Paulo II. Pois, nos apóstolos, sobre a pessoa Pedro como principal destes, em quem, por sua profissão de fé, Jesus promete a construção de Sua Igreja, o plano de amor e salvação para a humanidade; em Pedro devemos reconhecer a Igreja verdadeira que Cristo mesmo fundou para nós, e por ter sido Ele mesmo o fundador, os poderes do inferno não prevalecerão contra ela, portanto, se permanecermos unidos na mesma fé de Pedro, na mesma fé que foi transmitida à Igreja pelos seus sucessores, os Papas, estaremos unidos com Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois nesta autoridade papal estão as chaves que nos ligam e desligam do Céu, os Sacramentos que nos santificam, e santificam a Igreja para que sempre cresça e permaneça na espera da segunda vinda do Salvador.

“Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade”, nos diz Santo Agostinho, portanto, somos hoje chamados a celebrar a nossa fé na Igreja Católica e testemunhar a Verdade com nossas vidas, a exemplo de São Pedro e São Paulo.
O Evangelho de hoje traz uma pergunta essencial para nós: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16, 15). Jesus, nosso Caminho, nossa Verdade, nossa Vida, o Filho do Altíssimo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, nos questiona, nos faz refletirmos sobre como anda nossa fé, qual imagem de Jesus que quero seguir: a verdadeira, transmitida pela Sagrada Tradição, pelas Sagradas Escrituras e pelo Santo Magistério da Igreja, ou uma inventada pelos meus caprichos? Será que tenho reafirmado minha fé na Igreja Católica Apostólica Romana ou tenho tido uma fé herética, que escolhe em que deve acreditar e em que não deve? Diante de uma sociedade que tanto tem invertido os valores cristãos, estou disposto a ser fiel à Igreja de Cristo, mesmo que custe minha reputação, meu orgulho, minhas amizades, minha família, meu emprego, minha vida?
Isso é algo muito sério. Nossa fé deve guiar nossa vida, nossas escolhas, nossas ações. Isto é testemunhar a fé. Meus irmãos, ter a fé firme na rocha que é Pedro, seus sucessores e na Igreja, é essencial para a nossa vida, não podemos brincar com a nossa salvação. Entre acreditar no que eu penso, e acreditar no que a Igreja pensa, qual a minha escolha?
Que hoje em especial, mas também em todos os dias de nossa vida, possamos, juntamente com São Pedro e São Paulo, viver intensamente nossa fé, amando a Deus de todo o coração, com todo o nosso ser, amando nossa Igreja Católica e buscando conhecê-la com profundidade, acolhendo com um coração repleto de louvor e gratidão todas as abundantes graças que recebemos todos os dias nos santos sacramentos.
Nossa Senhora, Rainha dos corações, rogai por nós!
Priscila da Silva Ferreira
Consagrada na Comunidade Católica Divino Esposo