Um carisma de amor e reparação

Salve Maria!

Com imensa alegria, celebramos hoje onze anos de fundação da Comunidade Católica Divino Esposo. Comemorar um aniversário não é simplesmente sinalizar a alegria por mais um ano, mas fazer memória, ou, como aprendi na Argentina, “passar pelo coração”.

A cada ano, passamos “pelo coração” tudo o que foi vivido, e o que brota naturalmente é um verdadeiro louvor a Deus, que nos deu o carisma Divino Esposo e nos enviou para vivê-lo e, assim, testemunhar Suas maravilhas.

Um carisma é sempre um pequeno e, ao mesmo tempo, grandioso aspecto da Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cada um O comunica de modo novo e criativo, para transformar os homens e, assim, transformar o mundo, a fim de que se edifique a civilização do amor, como dizia o grande São João Paulo II.

Na experiência de nossa vocação, encontramo-nos com Jesus flagelado, repleto de chagas e feridas, que vem ao nosso abraço esperando de nós consolação. Tocamos na dor de um Deus que, amando tanto os homens, desceu do Céu, encarnou-Se no seio da sempre Virgem Maria, viveu por trinta anos sob seus cuidados, por três anos pregou o Evangelho, realizou milagres e prodígios e, no fim de seus dias, fez-Se sacrifício pela nossa salvação, entregando Sua vida na Cruz e ressuscitando ao terceiro dia. E nós, alvos de tão grande bondade e misericórdia, somos indiferentes: tratamos Seu ato de amor como um “nada”, infligindo ainda mais dores, cravando os espinhos dolorosos de nossos pecados.

Que coração aguentaria tal desprezo? Nenhum, nem mesmo o de Jesus. Afinal, o amor requer correspondência e deseja união.

O Esposo Divino foi traído, tal qual os profetas Oséias, Ezequiel e Isaías retrataram em suas profecias. Mas o belo é que Ele não despreza essas almas esposas traidoras; antes, quer atraí-las novamente, conquistar-lhes o coração, para que Ele seja delas e elas sejam Suas.

Portanto, unidos à Nossa Santíssima Mãe, somos os braços que acolhem o Divino Esposo, somos o colo que quer Lhe consolar, somos a voz que quer gritar ao mundo, com delicadeza e insistência: “Vinde, amai o Amor não amado!”. Existimos para anunciar ao mundo que Ele deseja Se unir a nós, que a vida de união com Nosso Senhor não está reservada apenas aos monges e monjas, mas a todos nós.

Queremos que todos saibam que é possível vivermos num Carmelo, mesmo estando no mundo secular, em meio aos trabalhos, estudos, família e responsabilidades próprias. Afinal, nossa alma é como um jardim secreto, onde só o Esposo tem acesso, e ali Ele deseja estar conosco, amando-nos e sendo amado por nós. A vida secular não é um impeditivo, mas é justamente o lugar do encontro. Quem O ama, O encontrará em cada ato e em cada pequeno sofrimento ou alegria; e, encontrando-O, não Lhe será indiferente, mas, como alma recolhida, saberá voltar-Lhe o seu olhar. Afinal, o amor não se prova com palavras, mas com atos concretos, com presença e atenção.

Em nossa Mãe Santíssima encontramos esse modelo acabado, pois o Seu Imaculado Coração jamais esteve desatento do Senhor. Em sua vida comum de mãe e esposa, sempre esteve voltada para Deus, e assim nos ensina a viver, para que O amemos em cada instante e sejamos, assim, amor.

Ao completarmos onze anos, tocamos a alegria de compreender cada dia melhor o para quê de nossa existência. E, olhando para tudo o que vivemos até aqui, só posso dizer que o que acabei de escrever não se trata de teoria, mas de vida vivida, provada, sofrida e testemunhada. Como o servo inútil, não podemos dizer que já fizemos tudo, porque pouco ou nada fizemos, mas certamente avançamos muito, não por nossas forças, mas arrastados por Seu amor, que não anda, mas corre.

Que, nos próximos anos que virão, não percamos de vista o Seu olhar, e que, a cada dia, sejamos mais aquilo que devemos ser e vivamos com todas as forças esse carisma de amor e reparação.

Divino Esposo, nós Te amamos!

Johnantan Michael Neves, DE

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