Sem a Luz que acode, nada o homem pode!

Hoje, a Santa Igreja celebra a grande solenidade de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre os apóstolos e a Virgem Maria reunidos no Cenáculo de Jerusalém, conforme Nosso Senhor Jesus Cristo havia prometido antes de subir aos céus: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual ouvistes falar, quando eu disse: ‘João batizou com água; vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo’” (At 1, 4-5). Essa solenidade marca o início da missão da Igreja, que já existia, mas que, a partir da vinda do Espírito Santo, deixou o medo e a covardia e se colocou a caminho para anunciar o Evangelho. Aqueles homens, que se encontravam enclausurados com medo, receberam um verdadeiro tônus espiritual e passaram da timidez a uma ousadia sem igual. O grande exemplo com o qual podemos ilustrar esse argumento está em Atos dos Apóstolos 2, 14-36, quando São Pedro, o príncipe dos apóstolos, deixa o interior do cenáculo e se põe de pé, anunciando em alta voz àquela multidão que Jesus é Deus e Senhor. O medo deu lugar à ousadia e a timidez transformou-se em autoridade. Assim é o homem que vive no Espírito! Na missa do dia de Pentecostes, a Igreja canta a belíssima sequência “Veni Sancte Spiritus”, na qual, em uma de suas belas estrofes, proclama: “Enchei, luz bendita, chama que crepita o íntimo de nós. Sem a luz que acode, nada o homem pode. Nenhum bem há nele”. Com essas palavras de fogo, é como se ouvíssemos a Igreja nos dizer: “Ei, sozinho não é possível. Sem o Espírito Santo só haverá timidez, medo e fechamento. Portanto, enchei-vos do Espírito! Abri as portas do vosso coração, deixai-O transformar tudo o que há em vós, para que os vossos frutos sejam bons e para que avance o anúncio do Evangelho”. Aqueles pobres homens iletrados, outrora desejosos de status, transformaram-se em verdadeiras potências. Basta vermos aonde chegaram e com que eficácia proclamaram a salvação, realizando prodígios, milagres e sinais. No entanto, ofereceram algo ainda maior: o testemunho de uma vida totalmente entregue a Deus, sem nenhum receio de morrer, se preciso fosse, para que todos os homens conhecessem o Senhor e se convertessem. Em meio a um tempo de timidez, conforto e possibilidades, muitas vezes nos perguntamos como os apóstolos conseguiram fazer tanto sem nenhum dos recursos que hoje temos, enquanto nós, com todas as facilidades, não conseguimos avançar um metro sequer… E a resposta é muito objetiva: eles deixaram-se transformar pelo Espírito, fizeram dEle a força de suas vidas e atenderam em tudo às suas inspirações. Como Filipe que, enquanto saía da água depois de batizar o Etíope, é arrebatado para Azoto, a fim de ir dali a Cesareia anunciando a Boa-Nova (cf. At 8, 26-40). Mais do que nunca, devemos voltar o nosso olhar para os nossos irmãos e pais na fé que viveram nos primeiros séculos de nossa Igreja, deixando que o seu testemunho nos inflame e nos ajude a voltar ao necessário. Afinal, “sem a Luz que acode, nada o homem pode”. Deixemos que o Espírito Santo nos transforme e faça de nós homens novos, para que nossa vida seja um testemunho de amor. Assim, os homens deste tempo tão desejosos de sentido, tão vazios em meio a tanta opulência encontrarão a verdadeira alegria que está em Jesus, Nosso Senhor. Neste Pentecostes, quero, junto com você, pedir: vem, Espírito Santo, e enchei os nossos corações! In Iesu, Maria et Ioseph, Johnantan Michael Neves, DE Fundador e moderador geral
Santa Rita de Cássia: uma vida que ensina que a santidade é possível para todos!

Celebramos hoje, 22 de maio, o dia de Santa Rita de Cássia, madrinha e intercessora da Comunidade Divino Esposo. E mais do que pedir sua intercessão, fazer novenas e orações, é preciso que olhemos para seu testemunho de vida como um grande exemplo de santidade, fé incansável e grande amor a Deus. ” Nasceu, pois Rita, no mesmo mês e dia de seu trânsito glorioso ao Céu; e como a Igreja chama a morte dos santos de nascimento, porque então é que nascem para a verdadeira vida, tal coincidência parece dar a entender que esta privilegiada criatura, antes que para as lutas da terra, nascia para o céu, como se qual outro Batista tivesse sido santificada no ventre de sua mãe.” (CABEZAS, p.19) Os pais de Rita, Amada Ferri e Antonio Mancini, muitíssimos virtuosos e de grande fé, ansiavam em Deus a graça de um filho para sentirem-se completos e mais felizes ainda que já o eram em seu santo matrimônio. Quis o Senhor prová-los na constância e na fé, até que em uma visão, foi revelado a Amada que ela teria uma menina de muitas virtudes e prodígios e que esta teria grande brilho em sua família, sua pátria e todo o mundo cristão. E assim se fez: Marguerita Lotti, a nossa querida Rita, nasceu no dia 22 de maio de 1381 em Roccaporena, próximo à cidade de Cássia, na Itália. Brotou esta flor em um lar católico e de grande temor a Deus. Desde sua infância, teve impregnado em sua vida os mistérios da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, aprendendo assim a meditar e contemplar o Sacrifício Santo, despertando em seu pequeno coração o desejo à vida religiosa e de se entregar totalmente a Deus. Rita aprendeu em sua infância a importância da caridade, piedade e compaixão, sobretudo, aos mais pobres. Nutria também em sua alma grande devoção a Jesus crucificado e grande era a admiração de todos perante seu precoce desenvolvimento, entendimento e demonstrações de modéstia. Admirava os costumes da vida reclusa dos monges Agostinianos que a impeliam a querer viver retiros e penitências e já muito nova fazia jejuns, doava aos mais necessitados aquilo que guardava de alimentos e constantemente buscava estar só para fazer suas orações e contemplar Jesus, o que levou a seus pais a preparem em sua casa um cômodo separado para que ela pudesse se dedicar a suas orações e estar constantemente na presença Daquele a quem amava profundamente. Em seu íntimo aumentava a determinação de se consagrar a Deus através da vida religiosa. Ao passar dos anos, porém, decidiram os pais de Rita que o melhor para ela seria a vida matrimonial e providenciaram-lhe um casamento que assegurasse o bem estar de sua filha. Tal decisão a levou aos prantos, implorando aos seus pais que reconsiderassem e a permitissem viver as inúmeras e incomparáveis vantagens da vida religiosa que desde cedo permeavam sua alma, em vão, contudo… Rita nunca em sua vida foi desobediente aos seus pais e mesmo com o coração angustiado e sob copiosas lágrimas, os obedece e acata a decisão, certa de que a vontade de Deus era o que ela queria para si. Com docilidade, suplica a Deus que lhe conceda uma graça especial para viver fielmente os deveres deste novo estado de vida que se apresentava. Certa de que a Providência havia lhe destinado seu esposo Fernando, Rita dedicou-se inteiramente a ele e no início, Fernando mostrava-se contente e feliz por ter casado-se com tão esplendorosa mulher. O tempo passou e então ele começa a demonstrar de fato quem realmente era: um homem de gênio extremamente difícil, grosseiro, áspero… nada lhe agradava e tudo o chateava. A maltratava com palavras e demonstrava muitas vezes grande desprezo chegando até mesmo a infidelidade. Não cuidava de sua esposa, não lhe era carinhoso e aproveitava-se da mansidão de suas atitudes. Rita, ao contrário, em tudo procurava lhe agradar em cada simples gesto e com grande paciência suportava tudo, rogava constantemente ao Senhor que toda dureza e rebeldia de seu coração fossem convertidos. Sua incansável atitude trouxe a conversão ao duro coração de seu marido. Aos poucos, o marido foi reconhecendo toda sua displicência e sentindo-se culpado, arrependido, mudou seu comportamento, chegando até mesmo a querer desagravar o Senhor por tantos pecados cometidos. Após tantas tempestades, finalmente a paz reinava em seu lar e Rita, então, retoma suas atividades piedosas, tanto quanto seus compromissos de esposa lhe permitiam. A graça da maternidade chega ao ventre de Rita. Quis o Senhor que dois filhos lhes fossem concedidos consecutivamente e nossa dedicada santa, com sentimentos de extrema gratidão a Deus entrega-se a tão tenro amor. Poucos anos se passam e percebe Rita que seus filhos haviam herdado o gênio tempestuoso de seu pai, o que lhe causava tremenda inquietação. Incutia-lhes todo o amor à Santíssima Virgem e a Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre os recomendava a Deus. Passou-se que faleceram seguidamente seus pais, causando-lhe tamanha dor e sofrimento. Mal havia começado a recuperar-se de seu luto, recebe a perturbadora notícia que um grupo de homens havia assassinado seu esposo devido a problemas passados. Em grande amargura e desolada, Rita encontra em Deus toda força necessária para cuidar de seus filhos. Sabendo que todo cristão assemelha-se a Cristo, Rita compreende que todo sofrimento nesta terra é senão um caminho para o céu. Pouco tempo de viuvez se passa até que percebe que seus filhos arquitetavam vingarem-se do terrível assassinato de seu esposo. Rita tenta de todas as maneiras dispersá-los de tão horrível destino de condenação para seus filhos, rogando-lhes insistentemente que perdoem aqueles que tanto mal o fizeram. Sem encontrar esperanças de mudanças em seus duros corações, semelhantes ao de seu pai em outra época, Rita suplica ante Jesus crucificado, em meio a lágrimas e extrema dor em seu coração e alma, que Deus mude o coração de seus filhos perante possível e abominável ofensa e certa condenação ou antes, que o Senhor os leve pois, preferia perdê-los aqui na
Novena de Nossa Senhora de Fátima

ORAÇÃO INICIAL (para todos os dias) Santíssima Virgem, que nos montes de Fátima vos dignastes revelar aos três pastorinhos os tesouros das graças que podemos alcançar, rezando o Santo Rosário, ajudai-nos a apreciar sempre mais essa santa oração, a fim de que, meditando os mistérios da nossa redenção, alcancemos as graças que, insistentemente, vos pedimos (pedir a graça). Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós. (Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima) ORAÇÃO PREPARATÓRIA Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do Rosário e Mãe de Misericórdia, que vos dignastes manifestar, em Fátima, a ternura de vosso Imaculado Coração, trazendo-nos mensagens de salvação e paz, confiados em vossa misericórdia maternal e agradecidos das bondades de vosso amantíssimo coração, viemos a vossos pés para render-vos o tributo de nossa veneração e amor. Concedei-nos as graças de que necessitamos para cumprir fielmente vossa mensagem de amor, e a que vos pedimos nessa novena, se forem elas para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja. ORAÇÃO FINAL (para todos os dias) Ó Deus, cujo Unigênito, com Sua vida, Morte e Ressurreição mereceu-nos o prêmio da salvação eterna, suplicamo-Vos: concedei-nos que, meditando os mistérios do Santíssimo Rosário da bem-aventurada Virgem Maria, imitemos os exemplos que nos ensinam e alcancemos o prêmio que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém. Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe dos pobres pecadores, que, aparecendo em Fátima, deixastes transparecer em vosso rosto celestial uma leve sombra de tristeza, para indicar a dor que causam os pecados dos homens, os quais, com maternal compaixão, exortastes a não afligir mais a vosso Filho com a culpa e a reparar os pecados com a mortificação e a penitência, dai-nos a graça de uma sincera dor dos pecados cometidos e a resolução generosa de reparar com obras de penitência e mortificação todas as ofensas que se fazem a vosso Divino Filho e ao vosso Coração Imaculado. Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe da Divina Graça, que vestida de nívea brancura aparecestes aos pastorinhos singelos e inocentes, ensinando-os, assim, o quanto devemos amar e procurar a inocência da alma, e que pedistes, por meio deles, a emenda dos costumes e a santidade de uma vida cristã perfeita, concedei-nos misericordiosamente a graça de saber apreciar a dignidade de nossa condição de cristãos e levar uma vida conforme as promessas batismais. Ó Santíssima Virgem Maria, vaso insigne de devoção, que aparecestes em Fátima tendo pendente de vossas mãos o Santo Rosário, e que insistentemente repetíeis: “Orai, orai muito” para conseguir findar, por meio da oração, os males que nos ameaçam. Concedei-nos o dom e o espírito de oração, a graça de sermos fiéis no cumprimento do grande preceito de orar, fazendo-o todos os dias, para assim observar bem os santos mandamentos, vencer as tentações e chegar ao conhecimento e amor de Jesus Cristo nesta vida, e à união feliz com Ele na outra. Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha da Igreja, que exortastes aos pastorinhos de Fátima a rogar pelo Papa e infundistes em suas almas sinceras uma grande veneração e amor por ele, como vigário de vosso Filho e Seu representante na Terra, infunde também a nós o espírito de veneração e docilidade à autoridade do Romano Pontífice, de adesão inquebrantável a seus ensinamentos, e nele e com ele um grande amor e respeito a todos os ministros da Santa Igreja. Ó Santíssima Virgem Maria, saúde dos enfermos e amparo dos aflitos, que movida pelo rogo dos pastorinhos, fizestes já curas em vossas aparições em Fátima, e haveis convertido este lugar em oficina de vossas misericórdias maternais em favor de todos os aflitos; ao vosso coração maternal acudimos cheios de filial confiança, mostrando as enfermidades de nossas almas e as aflições e doenças de nossa vida. Deixai sobre elas um olhar de compaixão e as remedieis com a ternura de vossas mãos. Ó Santíssima Virgem Maria, refúgio dos pecadores, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar incessantemente ao Senhor pela conversão dos pecadores, colocai em nossas almas um grande horror ao pecado e o temor santo da justiça divina; ao mesmo tempo, despertai nelas a compaixão pelos pobres pecadores e um santo zelo para trabalhar por sua conversão. Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do Purgatório, que ensinastes aos pastorinhos a rogar a Deus pelas almas do Purgatório, encomendamos à ternura de vosso coração todas as almas que ali padecem, especialmente as mais abandonadas. Ó Santíssima Virgem Maria, que em vossa última aparição vos destes a conhecer como a Rainha do Santíssimo Rosário, colocai em nossas almas uma profunda estima pelos mistérios da Redenção e concedei-nos a graça de sermos fiéis à prática de rezá-lo diariamente. Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe dulcíssima, que mostrastes ao mundo as ternuras de vosso coração, fazei que possamos compreender vossa mensagem de amor, abraçá-la e vivê-la com fervor. Assim seja! Centelha de conteúdo formativo – Com. Divino Esposo
Um carisma de amor e reparação

Salve Maria! Com imensa alegria, celebramos hoje onze anos de fundação da Comunidade Católica Divino Esposo. Comemorar um aniversário não é simplesmente sinalizar a alegria por mais um ano, mas fazer memória, ou, como aprendi na Argentina, “passar pelo coração”. A cada ano, passamos “pelo coração” tudo o que foi vivido, e o que brota naturalmente é um verdadeiro louvor a Deus, que nos deu o carisma Divino Esposo e nos enviou para vivê-lo e, assim, testemunhar Suas maravilhas. Um carisma é sempre um pequeno e, ao mesmo tempo, grandioso aspecto da Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cada um O comunica de modo novo e criativo, para transformar os homens e, assim, transformar o mundo, a fim de que se edifique a civilização do amor, como dizia o grande São João Paulo II. Na experiência de nossa vocação, encontramo-nos com Jesus flagelado, repleto de chagas e feridas, que vem ao nosso abraço esperando de nós consolação. Tocamos na dor de um Deus que, amando tanto os homens, desceu do Céu, encarnou-Se no seio da sempre Virgem Maria, viveu por trinta anos sob seus cuidados, por três anos pregou o Evangelho, realizou milagres e prodígios e, no fim de seus dias, fez-Se sacrifício pela nossa salvação, entregando Sua vida na Cruz e ressuscitando ao terceiro dia. E nós, alvos de tão grande bondade e misericórdia, somos indiferentes: tratamos Seu ato de amor como um “nada”, infligindo ainda mais dores, cravando os espinhos dolorosos de nossos pecados. Que coração aguentaria tal desprezo? Nenhum, nem mesmo o de Jesus. Afinal, o amor requer correspondência e deseja união. O Esposo Divino foi traído, tal qual os profetas Oséias, Ezequiel e Isaías retrataram em suas profecias. Mas o belo é que Ele não despreza essas almas esposas traidoras; antes, quer atraí-las novamente, conquistar-lhes o coração, para que Ele seja delas e elas sejam Suas. Portanto, unidos à Nossa Santíssima Mãe, somos os braços que acolhem o Divino Esposo, somos o colo que quer Lhe consolar, somos a voz que quer gritar ao mundo, com delicadeza e insistência: “Vinde, amai o Amor não amado!”. Existimos para anunciar ao mundo que Ele deseja Se unir a nós, que a vida de união com Nosso Senhor não está reservada apenas aos monges e monjas, mas a todos nós. Queremos que todos saibam que é possível vivermos num Carmelo, mesmo estando no mundo secular, em meio aos trabalhos, estudos, família e responsabilidades próprias. Afinal, nossa alma é como um jardim secreto, onde só o Esposo tem acesso, e ali Ele deseja estar conosco, amando-nos e sendo amado por nós. A vida secular não é um impeditivo, mas é justamente o lugar do encontro. Quem O ama, O encontrará em cada ato e em cada pequeno sofrimento ou alegria; e, encontrando-O, não Lhe será indiferente, mas, como alma recolhida, saberá voltar-Lhe o seu olhar. Afinal, o amor não se prova com palavras, mas com atos concretos, com presença e atenção. Em nossa Mãe Santíssima encontramos esse modelo acabado, pois o Seu Imaculado Coração jamais esteve desatento do Senhor. Em sua vida comum de mãe e esposa, sempre esteve voltada para Deus, e assim nos ensina a viver, para que O amemos em cada instante e sejamos, assim, amor. Ao completarmos onze anos, tocamos a alegria de compreender cada dia melhor o para quê de nossa existência. E, olhando para tudo o que vivemos até aqui, só posso dizer que o que acabei de escrever não se trata de teoria, mas de vida vivida, provada, sofrida e testemunhada. Como o servo inútil, não podemos dizer que já fizemos tudo, porque pouco ou nada fizemos, mas certamente avançamos muito, não por nossas forças, mas arrastados por Seu amor, que não anda, mas corre. Que, nos próximos anos que virão, não percamos de vista o Seu olhar, e que, a cada dia, sejamos mais aquilo que devemos ser e vivamos com todas as forças esse carisma de amor e reparação. Divino Esposo, nós Te amamos! Johnantan Michael Neves, DE Fundador e moderador geral
Deus, romântico como É, fez o mês de Maria começar com São José

O mês de maio é o mês que a Igreja dedica a Nossa Senhora, no qual os fiéis veneram a Mãe de Deus com ainda maior confiança. Providencialmente, como diz o título do texto, Deus, romântico como é, destinou o primeiro dia do mês mariano a São José. No título de São José Operário, pai adotivo de Jesus, provedor e protetor da Sagrada Família e esposo de Nossa Senhora. Mas você sabe como se deu esse casamento? Primeiramente, é necessário entender como era o funcionamento do casamento Judaico. O casamento judaico era dividido em dois estágios. O consentimento, que é a etapa que se assinava o contrato matrimonial, e a ALIANÇA NUPCIAL era entregue à mulher. Esse período de preparação, que poderia durar até um ano, era muito superior ao compromisso de noivado que temos nos tempos atuais, em que o noivado se tornou uma promessa de casamento. Naquela época, se o noivo morresse, a noiva era considerada viúva e durante esse período, o casal continuava a viver separadamente, a fim de se preparar para a vida que teriam. A segunda etapa, era a cerimônia, em que o noivo seguia em PROCISSÃO até a casa da noiva, em seguida, ambos seguiam juntos em procissão para a casa que construiram, onde acontecia o desfecho da cerimônia, a CONSUMAÇÃO. Deus com toda a sua providência e pedagogia, assim como todo antigo testamento era uma prefiguração daquilo que se concretiza em Jesus, com a nova e eterna aliança. Traz no matrimônio judaico essa característica de preparar o mundo para entender os estágios do casamento de Seu próprio Filho com a Igreja. A aliança nupcial representa a Antiga Aliança de Deus com seu povo, a procissão dos noivos, é a entrada de Jesus em Jerusalém no domingo de Ramos, e a Cruz é a consumação do matrimônio. OS ESPONSAIS DE SÃO JOSÉ E DA VIRGEM MARIA “Maria, estava DESPOSADA com José. Antes de COABITAREM, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.” (Mt 1, 18) Outra razão providencial da “liturgia” matrimonial da época, é a garantia da legitimidade da filiação de Jesus a Nossa Senhora. Maria estava DESPOSADA com José cumprindo a primeira etapa do matrimônio, quando ela aceitou o convite divino de ser a Mãe de Deus. Mas como Ele foi concebido antes de José e Maria COABITAREM (não moravam juntos), a profecia de Isaías “Uma virgem conceberá” (Is 7, 14) também foi garantida. Segundo uma tradição antiga, Nossa Senhora ficou órfã desde muito cedo, porque Sant’Ana e São Joaquim a conceberam na velhice. Desse modo, a Bem-aventurada Virgem Maria, foi apresentada no templo com 3 anos de idade e ali viveu até os quatorze anos. Nesse período, Nossa Senhora havia feito um voto de virgindade. Mas como naquela época, não havia a possibilidade do celibato, guardou esse segredo em seu coração. Segundo uma visão mística, da Venerável Maria de Ágreda, uma grande quantidade de pretendentes estava disputando a mão da Virgem Maria. Quando Simeão, o sumo sacerdote, deu a cada um dos homens um bastão seco, para que pudesse escolher entre os pretendentes, o que deveria vir a desposá-la. Enquanto eles rezavam, o bastão de São José floresceu milagrosamente. Depois do casamento, Maria revela a José o desejo de consagrar sua virgindade totalmente a Deus, e pela graça da providência, José também tinha secretamente esse grande desejo em seu coração. Deus romântico como É, possibilitou ao Santo casal a viver a virgindade em uma época que isso lhes parecia impossível. A consumação carnal, é símbolo da consumação espiritual, que aponta para uma união maior, que é a união do Divino Esposo com a sua Igreja, que somos nós. Maria e José não tinham necessidade da consumação carnal, pois a consumação do seu amor, estava em Jesus. Podemos tirar infinitos ensinamentos do casamento mais belo que existiu, mas um ponto muito importante, é que a Virgem Maria e o Castíssimo José, colocaram Jesus, como ápice de suas vidas. Em primeiro Jesus, depois o cônjuge e um deve levar o outro, a uma união cada vez mais perfeita com o nosso Divino Esposo. Que possamos em nossas relações ter sempre essa primícia! Comunidade Católica Divino Esposo
O Grande São Luís Maria Grignion de Montfort

Hoje, 28 de abril, a Igreja celebra o dia de São Luís Maria Grignion de Montfort – O Apóstolo de Maria. Convido os senhores a juntos, conhecermos melhor este grande santo! Em 31 de janeiro de 1673, em Montfort-sur-Meu, na França, o casal Jean-Baptiste Grignion e Jeanne Robert viram seu segundo filho nascer: Luís Maria. Este, que seria chamado de Apóstolo de Maria, cresceu em uma família temente a Deus e numerosa, com seus 17 irmãos, e desde cedo já se destacava por sua natural devoção à Virgem Santíssima e sua vida piedosa e de profunda oração que ensinava aos irmãos menores. Aos 12 anos, foi enviado para morar com o tio, o padre Alain Robert, e estudar no colégio Saint-Thomas de Rennes, cuja educação jesuíta era exemplar na época. Lá foi aluno brilhante, não apenas por seu destaque nos estudos, mas também por demonstrar maturidade acima dos alunos da sua idade, viver mais recolhido do que no meio das diversões barulhentas dos colegas, e não perdia uma chance sequer de acolher aqueles que precisavam ouvir o Evangelho, seja por suas palavras, seja por sua vida. Ele dava uma atenção especial aos mais pobres, não acumulava nada para si, dava o que podia, e quando nada tinha, recorria a famílias ricas e pedia ajuda a quem precisasse, já que o colégio era gratuito e tinham pessoas de todas as condições. Por muitas vezes, em seus dias de descanso, participava de um projeto, onde visitava doentes e lia para eles livros de santos e ensinava-lhes o Catecismo. No terceiro ano, foi inscrito entre os membros da Congregação da Santíssima Virgem com grande entusiasmo, pois desde bem pequeno, depois de Deus, sua maior alegria era estar com Sua Mãe Amorosa, da qual falava o tempo todo. Somente os melhores alunos e os mais devotos poderiam entrar nesta congregação, e nela pode fazer seu apostolado e aumentar seu amor pela Mãe do Céu, a quem sempre recorria e recebia numerosas graças. Cursou ainda no mesmo local Filosofia e Teologia com grande competência, com odores de santidade, só sabia falar sobre as coisas do Altíssimo e contemplá-las. Seu exterior emanava o ardente amor que cultivava em seu coração e iluminava todos a sua volta. Seu coração pulsava um desejo de sacerdócio e ele pensava que se realizaria ali mesmo, mas quis a providência divina que ele fosse para o Seminário de Saint-Sulpice, uma grande escola de santidade da época. Sua família, apesar de ter boas condições financeiras, por terem muitos filhos, não podiam arcar com as despesas do Seminário, mas Deus providenciou tudo. E lá se foi Luís Maria com uma muda de roupa, alimento e alguns escudos a pé até Paris. A certa altura, estando só, distribuiu tudo o que tinha, trocou suas roupas com um pobre, se ajoelhou e fez seus votos de pobreza, dizendo que nunca possuiria nada de seu. Demorou entre 8 a 10 dias para chegar a Paris, em seu caminho, comeu o que a providência lhe deu e assim que chegou fez outro voto importante: de nunca olhar para as belezas da cidade, sacrificando um grande desejo seu, pois queria reservar seu olhar apenas para as coisas do Alto. Tendo apenas os recursos para custear seus estudos, ficou num estabelecimento para os pobres, no qual tinha a responsabilidade da limpeza e organização do local junto aos demais residentes. Era inverno, dos mais rigorosos, a França passava pela guerra dos Nove Anos, e seu povo sofria o frio e a fome. Alguns meses depois que chegou, a benfeitora parou de pagar a pensão. Então precisou ir atrás de recursos financeiros. Conseguiu um trabalho de velar mortos, e aí intensificou suas orações e mortificações. Mas o que ganhava não era suficiente, então saia a pedir esmolas para completar o que precisava, e quando recebia uma quantia superior, doava-a a outro pobre. Foi encarregado de diversos outros serviços, e um deles, muito especial, precisa ser citado: cuidou da grandiosa biblioteca do Seminário, e lá leu praticamente todas as obras sobre a devoção à Santíssima Virgem Maria. Alguns anos mais tarde todos estes conteúdos contemplados frutificaria no Tratado da Verdadeira Devoção. Foi um tempo de oração, penitência, trabalho, estudos e até mesmo perseguições, mas nada abalava seu coração unido ao Senhor. Era exímio em tudo o que fazia, e o fazia em honra de Sua Boa Mãe. Até o dia de sua ordenação, aos seus 27 anos, no qual exultou de alegria de maneira indizível: era sábado de Pentecostes, de 1700. Agora, padre, sua sede pelas almas aumentou, e as missões no estrangeiro o atraíam. Mas quis o Bom Deus que ele permanecesse na França onde mais precisavam dele, e por lá mesmo, a pé, foi percorrendo de lugar em lugar, pregando a Palavra de Deus, levando a devoção ao Rosário e depois espalhando o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Seu sacerdócio durou apenas 16 anos, no entanto, este breve tempo não foi empecilho para tamanhos frutos. Percorreu onde o Espírito Santo o conduziu, quando pregava, arrastava muitas almas para o Senhor, sua fama foi se espalhando, e quando ouviam dizer que o padre de Montfort ia pregar, para lá corria uma multidão. Mas junto aos que o queriam bem, também surgiram muitos que tentaram derrubá-lo, chegando até a darem veneno para ele beber. Graças a Deus ele tomou um antídoto, mas isso deixou sua saúde bem frágil. Foi missionário pela França em nome do Papa, foi fundador das Filhas da Sabedoria (1703) e da Companhia de Maria (1705). E ainda nos deixou muitos escritos valiosos, tanto que muitos defendem que deveria ser doutor da Igreja. Sua doutrina Mariana deixou marcas e um grande legado que ultrapassou o tempo e até hoje ainda estão muitos consagrados a Jesus por Maria pelo método de São Luís a espalhar a verdadeira devoção pelo mundo afora. Ao longo da história vemos o quanto ele influenciou vários papas, entre eles, Leão XVIII que o beatificou. Seu livro “O segredo do Rosário” inspirou para
Misericórdia: A última tábua de salvação

“As almas se perdem, apesar da Minha amarga Paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da Minha Misericórdia. Se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão por toda eternidade.” (Diário, 965) Salve Maria! Inicio esse texto com as palavras de Jesus à Santa Faustina Kowalska, palavras que foram retiradas do diário escrito por ela a pedido de Jesus. Isso porque hoje comemoramos a Festa da Divina Misericórdia, que foi instituída por São João Paulo II, no dia 30 de abril de 2000, mesmo dia em que se deu a canonização de Santa Faustina. Meus irmãos, este é motivo de grande alegria para nós, visto que a santa misericórdia é a nossa última tábua de salvação, pois “se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão por toda eternidade” (Diário, 965). Mas, o que isso significa? Há poucos dias vivemos a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo que, ao Se encarnar no ventre da Santíssima Virgem, veio ao mundo em sinal da divina misericórdia do Pai. O homem jazia nas trevas do pecado, para ele já não havia salvação, então, pelo infinito Amor do Pai, as trevas do mundo deram lugar à Luz Divina: Cristo, o Sumo Bem, que por Sua morte, deu-nos a Vida! Foi na Cruz que Deus mostrou a nós o quão grande é Sua misericórdia, não poupando seu Único Filho para que obtivéssemos a remissão de nossos pecados. Das chagas de Cristo vieram a nós o Preciosíssimo Sangue, que nos purifica e nos alveja, e do lado aberto, do Coração ferido de Nosso Senhor, jorraram os rios de misericórdia: “mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e imediatamente, saiu sangue e água.” (Jo 19, 34) Sendo assim, em Sua primeira vinda, Jesus veio a nós como Pai das misericórdias, porém, em Sua vinda segunda, Ele virá como Pai da Justiça, “Ele vem julgar a terra, julgará o orbe da terra com Justiça e, na sua verdade, os povos” (Sl 96, 13) e “também vós ficai preparados, pois na hora que menos pensais virá o Filho do Homem” (Lc 12, 40). Com a justiça divina, meus irmãos, não existe um “jeitinho brasileiro”, cada um de nós será julgado conforme aquilo que praticarmos. Como disse Maria Santíssima à Santa Faustina: “Eu dei o Salvador ao mundo, e quanto a ti, deves falar ao mundo da Sua grande misericórdia, preparando-o para Sua segunda vinda, quando virá não como Salvador misericordioso, mas como justo Juiz.” (Diário, 635) E é justamente aí que se encontra a última tábua de salvação: “Falai e procedei, pois, como pessoas que vão ser julgadas pela Lei da liberdade. Pensai bem: o julgamento vai ser sem misericórdia para quem não praticou misericórdia; a misericórdia, porém, triunfa sobre o julgamento.” (Tg 2, 13). Eis aí, irmãos, enquanto não volta o Senhor, Ele nos dá a última chance de salvação, que é a confiança plena em Sua misericórdia! Quem aqui na terra viver de misericórdia, alcançará, pois, a misericórdia no Céu. E como viver esta misericórdia? Buscando sempre uma união maior com nosso Deus, amando-O com todo nosso coração, colocando nossa confiança nEle e amando-O em nossos irmãos, praticando as obras de misericórdia para com eles. Trago essa verdade não para que tenhamos medo (não se é preciso temer a justiça divina) mas a escrevo para que, de fato, vejamos o quão grande é a bondade de Deus. Quantos motivos não tem o Senhor para Se afastar de nós? O quanto ferimos Seu coração, mas Ele continua conosco, e nos dá mais uma, duas ou quantas chances forem necessárias para que voltemos? Por isso, faço um apelo: voltemos, irmãos, voltemos ao Senhor enquanto é tempo! Você pode estar pensando, “não, não sou capaz de viver assim” ou até mesmo “como vou sair dessa vida, para mim não há mais jeito”… Deixo, então, para vocês a mensagem de São João Paulo II, em sua homilia da festa da misericórdia em 2001: “Um simples acto de abandono é o que basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado.” Vejam que bela notícia: a misericórdia não é apenas para os santos, mas, é justamente para os pecadores e basta um simples ato de abandono, basta que acreditemos na bondade de Deus e, a partir de então, pedirmos um coração realmente contrito e que deseja voltar para o Senhor. Para nos ajudar a voltar para o Senhor, viver bem essa relação com a misericórdia e alcançar as graças que dela podemos obter, o Senhor deu, por meio de Santa Faustina, pequenas devoções: Todas essas devoções são um caminho pelo qual podemos nos aproximar de Deus e de modo muito particular, lançar-nos, abandonarmo-nos nEle, cientes de que a vontade do Pai é que o Filho não perca nenhum daqueles que lhes foram entregues (Jo 6, 39). Por isso, irmãos, Jesus nos dá Sua Misericórdia para que não mais nos percamos mas, confiantes nEla, busquemos a nossa conversão e um coração cada vez mais dócil e íntimo ao Sagrado Coração. Que nesta Festa da Misericórdia, o seu coração se inflame de amor por Nosso Senhor e com o auxílio de Santa Faustina e de São João Paulo II, apóstolos da Misericórdia, sejamos nós também propagadores da Misericórdia! Santa Faustina e São João Paulo II, rogai por nós! Giovana Vinci dos Santos Consagrada na Comunidade Católica Divino Esposo Referências bibliográficas: Faustina, Santa. Diário: a misericórdia divina na minha alma. Apostolado da Divina Misericórdia: Paraná, 2018 Bíblia Sagrada, tradução oficial da CNBB.
Páscoa: Cristo ressuscitou!

“Procurais Jesus, o nazareno? Aquele que foi crucificado? Ele ressuscitou!” (Mc 16,1-8) Que alegria meus irmãos!!! O túmulo está vazio, Cristo vive… Aleluia!!! Tenho certeza que você, assim como eu, estava com esse grito guardado na garganta. Hoje declaramos: ALELUIAAAA!!!! Cristo venceu a morte e está no meio de nós!!! Durante 40 dias, fomos levados a um tempo forte de oração, preparação para a semana maior (Semana Santa). Foram jejuns, penitências, orações para que nossos corações dessem espaço à conversão, e assim, nos configurarmos a Cristo que, em sua divindade, se fez humano como nós para nos dar novamente o céu. Como nos fala o profeta Isaías, Ele tomou sobre si todas as nossas culpas: “Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram nossas dores que levava as costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado. Mas estava sendo traspassado por causa de nossas rebeldias, nossos pecados. O castigo que teríamos que pagar caiu sobre ele, com seus ferimentos veio a cura para nós” (Isaías 53, 4-5). Desde a Quinta-feira Santa, vivemos o Tríduo Pascal, onde fomos mergulhados na imensidão da misericórdia de Deus, de uma nova oportunidade de nascermos para a vida eterna, pela paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois somente o Cordeiro perfeito e sem mancha poderia nos abrir as portas do céu. (Jo 1, 29-34). Desde que Jesus foi entregue nas mãos das autoridades da lei, foi rebaixado a Rei dos Judeus (conforme vimos na celebração de Ramos) para ser o pior, o miserável, o condenado pelo povo que o recebia com cantos e festa, iniciou-se o sacrifício de amor que resultou em morte, e morte de cruz. Irmãos, é preciso entendermos e meditarmos o santo sacrifício de Jesus, para assim celebrarmos a vitória. Sei que nos dias que antecederam a ressurreição você já teve essa oportunidade de meditar as dores de Jesus, mas te convido a parar por alguns instantes e recordar tudo o que foi vivido até aqui, vamos lá? Alguns minutinhos apenas… Irmãos, na sua vida, e na minha também, passamos por aflições. Quantos de nós vivemos como se não houvesse a esperança, talvez por tudo que vemos nas mídias, na TV, nas redes sociais?!Quantas tragédias, meu Deus, que nos leva a cada dia desacreditar de dias melhores, de solução para essa humanidade tão ferida, tão pecadora. Basta olharmos para o interior de cada um: o desejo pela vingança, a ira, o ter, o poder, o prazer; a falta de amor a Deus e ao irmão! Quantas são as dificuldades, não é mesmo?! Pois é, essa falta de esperança caiu também sobre os que estavam com Jesus, pois todos foram embora. Os discípulos que caminhavam com Ele, todos que prometeram o acompanhar e até dar suas vidas por Ele, foram tomados pela descrença, pelo medo. Apenas a Virgem Maria permaneceu acreditando que nem mesmo a morte poderia vencer Aquele que já era vencedor. Ela, que sofreu na alma as dores físicas de Jesus, não deixou de acreditar nas promessas do Senhor. Em três dias o templo foi reerguido, em três dias o Sol da Justiça voltou a brilhar! Não procuremos entre os mortos Aquele que vivo está! A Páscoa é a passagem da morte para a vida, transformação das trevas em luz. Vejam, irmãos, os judeus comemoravam a páscoa celebrando a abertura do mar vermelho, onde Deus os tirou da morte, das mãos do faraó, a passagem para a vida, a terra prometida. Deus não faz nada sem sentido, Ele não é incoerente em seus desígnios de misericórdia. O povo liberto do Egito passou 40 anos no deserto, provando do maná e do mel, sendo infiéis e traidores, mas o Senhor os levou, Ele os levou a terra prometida. O filho de Deus também foi ao deserto ser tentado por satanás e, após sua dolorosa Paixão, provou que a morte não é o fim. A páscoa é vida nova, é sinal misericordioso de Deus que não há nada nesse mundo que O possa vencer! Proclame essa verdade na sua vida, se decida nesse dia a viver na Verdade e não a uma vida medíocre de superficialidade, mas uma vida plena n’Ele. No domingo de Páscoa, celebramos o Cristo ressuscitado, o cumprimento das promessas de Deus! Até hoje, os judeus acreditam que o corpo de Jesus foi roubado do túmulo, porque foi isso que foi espalhado pelos doutores da lei da época. Como eles poderiam assumir que crucificaram o Messias?! Mas nós nos unimos à Maria, aquela que no Sábado Santo era a única cristã no mundo, a única que acreditava no cumprimento da promessa de Deus, nos unimos a Ela e cremos: Cristo ressuscitou! Cristo Jesus apareceu às mulheres que choravam por Ele; apareceu aos discípulos que O negaram, que não creram. Ele deixou com que Tomé tocasse suas feridas para que ele saísse da incredulidade. E Ele te diz hoje, meu irmão e minha irmã: “O que queres que eu te faça? Eu te chamei, resgatei, te salvei! O que precisas mais?” Você já viveu um Amor assim? Um Deus que desceu à humanidade, sendo Deus e homem, provou do desamor daqueles que lhe eram mais caros. Que sofreu a dor dos pecados do mundo inteiro, sendo Santo. Ele, sendo Deus, sofreu na cruz. Quem somos nós diante Dele, para não querer sofrer? O amor é cruz e, nessa certeza, te digo: não há vitória sem luta, sem batalha! Não é possível chegarmos à Páscoa, sem antes ir ao calvário! Jesus nos mostra que o amor não é algo, o Amor é Ele mesmo!! Ele ressuscitou, vive desde sempre e por toda a eternidade; e te chama. Saia do sepulcro, deixe que essa pedra que trava a sua vida se mova. Ele vive e é por você!!! Viva para Ele e renasça com a glória do Deus vivo!!! “O meu amado é todo meu e eu sou dele.” (Ct 2, 16) Desejo que nessa nova oportunidade, Cristo renasça em seu coração, transforme as trevas em luz. Permita que a gloriosa ressurreição
Para viver bem a Semana Santa

Hoje, iniciamos um dos momentos mais importantes celebrados em nossa Santa Igreja: a Semana Santa! Mas, afinal de contas, você sabe o que ela é e qual seu sentido? Ou é só mais um feriado? Para bem vivermos essa semana é necessário entendermos seu significado e, assim, mergulharmos nestes preciosos mistérios, irmos até o Calvário com Jesus, para ressuscitarmos em uma vida nova. Estávamos vivendo o tempo da Quaresma, onde caminhávamos com Cristo no deserto, tempo de recolhimento e preparação para esta Semana. A partir do domingo, o “Domingo de Ramos”, iniciamos a semana na qual revivemos a Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, atingimos o ápice da Misericórdia e do Amor Divino para com a humanidade. Tenho certeza que, ou você já participou desta procissão, ou já foi acordado pelos cantos de “Hosana hey, Hosana ha” das multidões. Mas afinal, o que celebramos no Domingo de Ramos? A Igreja lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, quando foi recebido calorosamente pelos judeus, que espalharam ramos no caminho pelo qual Ele iria passar. Os judeus O aclamavam gritando “Hosana ao Filho de Davi” (Mt. 21, 1-9). Por isso, que neste dia, nós católicos, cantamos e carregamos ramos, como gesto para demonstrar que Jesus é nosso Rei e Salvador. Na Quinta-feira Santa, celebramos a Instituição da Eucaristia, e com Ela o sacerdócio! Jesus se faz pequeno pedaço de pão por nós. A Eucaristia nos é dada em todas as Missas, mas, neste dia, de maneira especial e solene, fazemos memória da última ceia e, com coração cheio de agradecimento, vemos Cristo que se derrama inteiramente em Corpo e Sangue, Alma e Divindade para a nossa salvação pelas mãos ungidas do sacerdote. Temos a entrega de Jesus por nós, “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que por Ele, nos tornemos justiça de Deus” (2Cor. 5,21). Neste dia, também acolhemos os santos óleos do Batismo, da Unção dos Enfermos e da Crisma, que serão utilizados em todas as Igrejas no decorrer do ano. Também faz parte do rito desta Missa o lava-pés, que recorda o Evangelho de Cristo, exemplo de humildade, que se coloca a lavar os pés de seus apóstolos. Por fim, neste dia, temos a vigília ao Santíssimo exposto, onde a Igreja é chamada a estar com Cristo, e com Ele ir ao calvário. Na Sexta-feira Santa, vivemos a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aquele que não tem pecado, entrega-se por amor à humanidade e morre por nossa salvação. Neste dia, veneramos a santa Cruz, não como símbolo de morte, mas como símbolo de Amor, com a esperança da salvação. Anna Catarina Emmerich relata que “(…) o Santo dos santos, o Esposo de todas as almas, pregado vivo na Cruz, foi elevado pelas mãos dos pecadores enfurecidos. Quando, porém, o madeiro erguido com estrondo entrou na respectiva cova, houve um momento de silêncio solene; (…) O próprio inferno sentiu assustado o choque do lenho sobre a rocha e levantou-se contra ele, redobrando nos seus instrumentos humanos o seu furor e os insultos. Nas almas do purgatório e do limbo, porém causou alegria e esperança: soava-lhes como o bater triunfador às portas da Redenção. A Santa Cruz estava pela primeira vez plantada no meio da terra, como aquela árvore da vida no Paraíso, e das chagas dilatadas do Cristo corriam quatro rios santos sobre a terra, para expiar a maldição que pesava sobre ela e para fertilizar e a tornar um paraíso do novo adão” (EMMERICH, p.331). No Sábado Santo, a Igreja aguarda no sepulcro junto a Cristo. Aguardamos sua ressurreição, sua vitória à morte. Cremos em um Deus vivo e ressuscitado, por isso, como as esposas que aguardavam a vinda do Esposo com suas lamparinas acesas, a Igreja aguarda a ressurreição do Esposo, vigilante e atenta. A Igreja caminha com Cristo seu caminho expiatório, para com Ele, chegar à Páscoa do Senhor. Cristo vence o mundo, o pecado e a morte! Nos dá a salvação e nos liberta das amarras do inferno. Nesta semana, irmãos, nós, almas esposas, somos chamados a viver mais profundamente a oração, o jejum e a penitência. É necessário sofrer com Cristo, carregar a Cruz com Ele, ir ao calvário e então ressuscitar, para uma vida nova! O céu só nos é possível através da Cruz! Para nós, católicos, essa semana não tem feriado, não tem praia, nem churrasco. Mas tem jejum, penitência e oração! Nos recolhemos para viver a Paixão com Cristo e com Ele, ressurgir. Não sei como foi sua quaresma, como tem sido sua vida nestes últimos tempos, mas agora é o tempo propício. Como disse nossa baluarte, Santa Teresinha, só temos o hoje para dar a Cristo. Por isso, irmãos, que possamos viver uma santa Semana Santa, passar pelas dores, tendo a certeza na vitória! Que Maria Santíssima, nos ensine a caminhar, esperar e crer, junto a Seu Filho, Jesus! Jéssica Baliza Formadora Geral – Comunidade Católica Divino Esposo Bíblia Sagrada, tradução CNBB. EMMERICH, Anna. “Vida e Paixão do cordeiro de Deus”. Minha biblioteca católica: Rio Grande do Sul, 2018.
Anunciação do Senhor: A plenitude dos tempos!

“Na plenitude do tempo, um anjo de luz desceu do grande trono de luz a uma virgem prostrada em oração para perguntar-lhe se estava disposta a dar a Deus uma natureza humana” ¹ – narrou o admirável servo de Deus, Fulton Sheen. Hoje celebramos este sublime dia, o dia da Anunciação do Senhor à Maria por meio do anjo Gabriel. Há um belíssimo mistério neste ato que Sheen narra: o fato de colocar em Maria a predominância da escolha. Deus escolheu Maria para ser a Mãe de seu Filho Amado, porém não lhe tirou a liberdade para dar seu sim a Ele. Na anunciação inicia-se a “plenitude dos tempos” (cf. Gl 4,4), isto é, o cumprimento das promessas e das preparações. Maria, então, é convidada a conceber Aquele em quem habitará “corporalmente a plenitude da divindade” (cf. Cl 2,9). A Igreja ensina que o Pai das Misericórdias quis que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho para que, assim como a mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida.² Em uma famosa obra do tempo medieval chamada Legenda Dourada³ nos diz que a Anunciação do Senhor é assim chamada porque, no dia agora comemorado, um anjo anunciou a vinda do Filho de Deus na carne. Assim, por três razões convinha que a encarnação do Filho de Deus fosse precedida por um anúncio, que foi feito pelo anjo: 1) Para que a ordem da reparação correspondesse à ordem da queda. Assim como o diabo tentou a mulher para levá-la à dúvida, da dúvida ao consentimento, e do consentimento à queda, o anjo anunciou à Virgem para estimular sua fé e levá-la da fé ao consentimento e do consentimento à concepção do Filho de Deus. 2) Por causa do ministério do anjo, porque sendo o anjo ministro e escravo do Altíssimo, e tendo a Bem-aventurada Virgem sido escolhida para mãe de Deus, era sumamente conveniente que este ministro servisse à Senhora, já que ela carregaria em si o Salvador. 3) Para reparar a queda do anjo. Se a Encarnação não teve como único objetivo reparar a queda do homem, mas também reparar a ruína do anjo decaído, os anjos não deveriam ser dela excluídos. Como a mulher não está excluída do conhecimento do mistério da Encarnação e da Ressurreição, o mesmo deveria ser do conhecimento do mensageiro angélico. Por isso, Deus anunciou ambos os mistérios à mulher por intermédio de um anjo: a Encarnação à Virgem Maria, e a Ressurreição à Maria Madalena. Raniero Cantalamessa também nos ensina que o nascimento de uma criança não é o início absoluto; é antes a sequência, ou melhor, a conclusão de um evento. Antes de sua “vinda à luz” há sua “vinda no ser”, que se dá no instante íntimo e sagrado de sua concepção. Assim acontece com Cristo: Ele é a manifestação de um mistério muito mais profundo acontecido antes do seio de Maria, o mistério da Encarnação e Anunciação do Verbo. Um mistério tão grande que envolve toda a Trindade: o Pai, mediante seu poder que é o Espírito Santo, gera, novamente, no tempo e na carne, seu Filho. 4 No momento em que Maria pronuncia seu SIM e seu Fiat (faça-se), aconteceu algo maior do que o Fiat Lux (faça-se a luz) da criação, pois a luz que agora se fazia não era o sol, mas o Filho de Deus em carne. Há algo de interessante na concepção de Jesus neste momento da anunciação: Ora, nem sempre uma criança é fruto de um desejo ou de uma vontade certa. Outras são até desejadas, porém somente após a concepção e o desenvolvimento da criança é que os pais conseguirão saber se é menino ou menina. O amor de mãe e de pai vai se desenvolvendo com a criança. Com Maria foi diferente! Na anunciação, o Filho não foi aceito de nenhum modo imprevisto; o Filho foi desejado. Houve, portanto, a colaboração entre uma mulher e o Espírito do Amor Divino. Outras mães se tornaram conscientes da maternidade por meio das mudanças físicas por que passaram; Maria se tornou consciente por meio de uma mudança espiritual realizada pelo Espírito Santo de Deus. Ela provavelmente recebeu um êxtase espiritual muito maior do que o que foi dado a qualquer homem e mulher em seu ato de amor sexual unificante. 5 Assim como a queda foi um ato livre, também a Redenção havia de ser livre. O que se chama de Anunciação era, na verdade, Deus pedindo o livre consentimento de uma criatura para ajudá-lo a se incorporar na humanidade. 6 Ora, dessa forma, Maria não deve ser vista como uma mulher qualquer. Ao contrário! Maria é cooperadora na obra da salvação e totalmente livre diante de Deus. Ela, escolhida para ser a Virgem Mãe de Cristo, é saudada com a mesma convocação com que Deus faz à Mãe Jerusalém, cujos filhos fiéis se regozijarão na era messiânica, porque Deus escolheu habitar no meio deles (cf. Jl 2, 23-23; Sf 3, 14-17; Zc 9, 9). Esta saudação se dá à Maria exatamente porque ela é a personificação da fidelidade de Israel e a destinatária mais privilegiada das bênçãos messiânicas do Senhor.6 Somos, portanto, este povo messiânico: somos o povo que vive sob o signo cristão, filhos de Maria, espelho e imagem perfeita da Igreja. Somos filhos da Igreja e devemos, por meio da Anunciação do anjo, nos alegrar, na fidelidade, por causa da salvação que habitou e habita entre nós. Devemos, por isso mesmo, exultar de alegria porque Deus quis a colaboração de uma criatura na obra da salvação. Portanto, com fé, rezemos: O Anjo do Senhor anunciou a Maria. R: e ela concebeu do Espírito Santo. Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém Eis aqui a serva